Centro Cultural Pró-Música
Juiz de Fora - MG - Brasil  


Entrevista/Myrian Dauelsberg


"O Pró-Música é um exemplo de perseverança e de concretização de idéias"




Divulgação


Só aceitar o que há de melhor e perseguir a perfeição artística, o que pressupõe um caminho sem fim”. Este é o lema de vida de Myrian Dauelsberg, filha de Mariuccia Iacovino e Arnaldo Estrella, que concilia as atividades de professora, empresária e é o nome responsável por trazer ao país os grandes expoentes da música clássica, da dança e do canto lírico. Em entrevista ao Jornal Pró-Música, ela fala sobre a trajetória da Dell´Arte, os projetos para 2009, os desafios da produção cultural e a fundamental influência dos seus pais no trabalho desenvolvido hoje. Myrian elogia, ainda, o trabalho desenvolvido pelo Pró-Música, considerado pólo educativo que deveria servir de modelo no país.


Jornal Pró-Música - Quais são os resultados obtidos ao longo desses mais de 25 anos de iniciativa à frente da Dell´Arte Soluções Culturais e quais os projetos para 2009?

Myrian Dauelsberg - A Dell´Arte completou 26 anos de atividades. Ao longo desses anos, trouxe ao Brasil os maiores nomes e orquestras do cenário musical internacional, como Pavarotti, Carreras, Domingos, Jessye Norman, Caballe, Katleen Battle, Rostropovitch, Martha Argerich, Isaac Perlmamn e Pogorelich. Entre orquestras, destacam-se Filarmônica de Nova York, S. Petersburg, Cleveland, Viena e BBC de Londres. No campo da música antiga, trouxemos várias vezes William Christie, Musica Antiga Koln, Academy St Martin on the Fields com Neville Mariner e diversos grupos da Itália. Além de organizar turnês para artistas e conjuntos internacionais, a Dell´Arte sempre se preocupou com a formação de novas platéias e de concretizar séries dedicadas a divulgar novos talentos. Desde 1983, realiza, anualmente, séries de apoio a jovens. Muitos artistas hoje consagrados foram selecionados e apresentados pela Dell´Arte, entre eles: Roberto Minczuk (quando era apenas trompista), Daniel Guedes, Fabio Zanon, Duo Assad, Duo Santoro e dezenas de pianistas. Em 1995, a Dell´Arte ampliou suas atividades incorporando o balé clássico. Trouxe ao Brasil o Balé Bolshoi, Kirov, Opera de Paris, N. York City Ballet, Companhia Antonio Gades, para citar apenas alguns. O resultado? Creio que a credibilidade adquirida pelo fato de nunca termos feito concessões e de lutar cada dia mais para manter nosso compromisso inabalável com a qualidade artística. O projeto para 2009 é continuar a apresentar grandes artistas. Este ano teremos que condensar um pouco a programação pois o Teatro Municipal do Rio vai fechar para reformas. Apresentaremos uma série de piano com grandes nomes do teclado incluindo o nome de uma maravilhosa pianista brasileira, Eliane Rodriguez, ex-aluna de Arnaldo Estrella e que há anos reside na Europa sem nunca ter voltado ao Brasil. Vamos trazer também Volodos, um maravilhoso pianista russo, além de Luganski, entre outros.


Como é trazer ao país os grandes nomes da música clássica, da dança e do canto lírico?

Trazer estes grandes conjuntos e artistas não é fácil e exige uma luta constante em prol de patrocínios. Este é o lado mais árduo de nossa atividade mas, infelizmente, fundamental. Felizmente, o respeito que conquistamos tem aberto sempre portas para os nossos projetos.


Como o fato de ser filha de Mariuccia Iacovino e Arnaldo Estrella influenciou na decisão de se dedicar à arte?

O fato de ter sido filha de Mariuccia Iacovino e Arnaldo Estrella foi a maior herança que recebi. Tive a sorte incrível de ter convivido desde criança com os maiores músicos não só brasileiros mas do cenário internacional, sem falar dos compositores. Meus pais foram fervorosos batalhadores pela música brasileira e deram primeiras audições de inúmeras obras, muitas das quais dedicadas a eles. Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Mignone, Gnatalli, Almeida Prado, Marlos Nobre, Ronaldo Miranda entre muitos outros foram personalidades freqüentes na nossa casa. Julgo-me uma mulher feliz de ter sempre convivido com os mais altos parâmetros artísticos, daí o lema de minha vida: ” só aceitar o que há de melhor e perseguir a perfeição artística, o que pressupõe um caminho sem fim”. Desde criança, sabia que não faria nada que não fosse ligado a música e arte. Tenho conseguido conciliar a carreira de professora, que adoro, com as atividades empresariais. Por vezes, não é fácil, mas uma atuação acaba ajudando a outra.


Na sua avaliação, quais são os desafios de se trabalhar em prol da promoção da cultura no país?

Para vencer desafios (e eles no Brasil se multiplicaram!) só contém uma receita: entusiasmo na causa, certeza pelo que se está lutando, uma grande perseverança e quase que obstinação. Importante não perder de vista os objetivos e não se deixar abater por insucessos, pelo contrário, eles devem servir de estímulo. Importante é transformar as dificuldades em força motriz.


Como avalia o trabalho desenvolvido pelo Centro Cultural Pró-Música de Juiz de Fora?

Admiro muito o trabalho do Centro Cultural Pró-Música. Sei que tudo começou na casa de meus pais pois Maria Isabel foi aluna de Arnaldo Estrella. Surgiu a idéia proposta por ele de fundar uma entidade voltada para a música clássica. Projetos culturais todos têm, o difícil é concretizá-los. E a idéia se tornou realidade graças a Maria Isabel e seu marido. Minha avó espanhola dizia: ” Entre el dicho y el hecho hay mucho trecho” (entre dizer e o fazer o caminho é longo). O Pró-Música não se locupletou com o “dizer”, soube transformá-lo em realidade. O Pró-Música é um exemplo de perseverança e de concretização de idéias. Hoje é, no cenário musical brasileiro, um pólo educativo da maior importância e que deveria servir de modelo. Além do mais, o movimento específico em prol da música antiga merece o nosso maior respeito e admiração.




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