Centro Cultural Pró-Música
Juiz de Fora - MG - Brasil  


Entrevista/CELINA SZRVINSK


"Sou testemunha do trabalho de alto mérito do Centro Cultural Pró-Música, fruto do esforço contínuo e idealismo de seus diretores"




Divulgação


E m entrevista ao Jornal Pró-Música, a diretora artística da Série Concertos Didáticos em BH fala sobre a programação preparada para o público este ano, os desafios do ensino da música no país, seus projetos como camerista e o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Centro Cultural Pró-Música, destacando o poder da música como um dos meios mais eficazes de elevar o ser humano.

Jornal Pró-Música - Gostaria que você nos falasse sobre a Série Concertos Didáticos, promovida pela Escola de Música da UFMG. Como surgiu o projeto, qual é o objetivo e como se dá a escolha das atrações?

CELINA SZRVINSK - A série “Concertos Didáticos UFMG” surgiu em 2000 e foi idealizada pelo professor Jacques Schwartzmann, então diretor executivo da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da UFMG (Fundep). O professor Jacques, grande apreciador da música de concerto e presença assídua em todos os concertos de Belo Horizonte, convidou-me para assumir a direção artística do projeto que, segundo sua concepção, deveria apresentar uma programação de nível internacional a preços populares, com 8 a 10 concertos de caráter didático, cujos programas trariam também informações sobre as obras apresentadas e ofereceria gratuitamente entre 30 e 40 ingressos a estudantes de escolas públicas. Acrescentei às idéias dele, a venda de assinaturas para a temporada anual e a programação apresentada antecipadamente ao público, a exemplo das salas de concerto mais conceituadas do mundo. Por essas características a série foi pioneira em Minas Gerais e o exemplo gerou outras de formato semelhante. É importante ressaltar que, artistas como Nelson Freire, irmãos Assad, Antônio Meneses e Arnaldo Cohen não vinham já há alguns anos a Belo Horizonte. A vinda destes nomes consagrados, assim como a de outros ainda desconhecidos do nosso público, como o violinista Sergei Kravchenko e os pianistas Menahem Pressler, José Carlos Cocarelli, José Feghali, deu-se a partir do início dos Concertos Didáticos UFMG. Hoje em dia, diante das dificuldades para se manter uma programação deste porte, tornaram-se necessárias parcerias com outros projetos de concertos, para que os custos da produção sejam divididos entre os promotores. Desta forma, a escolha dos artistas não é mais restrita somente aos nossos critérios, mas está também condicionada aos demais promotores.


O que o público pode esperar da programação este ano?

O público tem garantido para este ano oito concertos que foram elaborados cuidadosamente e com a preocupação de sempre corresponder às expectativas mais exigentes. O alto nível dos intérpretes e o cuidado que sempre temos na escolha de repertórios não só bonitos mas também instigantes, garantem a satisfação do público, que lota nossos 220 lugares a cada concerto. Os quatro primeiros concertos aconteceram nos meses de março e abril. Foram dois trios vindos da Suíça, um quarteto de cordas e piano da Alemanha e um duo de piano e cello vindo da Rússia. O próximo concerto será no dia 28 de junho com o violinista Roman Simovic – spalla da OSEMG e o pianista Miguel Rosselini.Em agosto teremos Arnaldo Cohen, o duo Ignace Jang, violino e Marília Caputo, piano.


Sua trajetória como pianista é reconhecida no cenário musical brasileiro. Gostaria que nos falasse sobre seus projetos como solista e camerista.

Embora durante muitos anos eu tenha me dedicado aos recitais solo, minha carreira de camerista surgiu de forma tão surpreendente e gratificante, que ocupou praticamente toda a minha agenda disponível para os concertos. Atualmente, concilio o meu duo pianístico com Miguel Rosselini, que já gravou dois CDs, o primeiro deles na Alemanha e o segundo no Brasil, este último apontado pela Revista Diapason, como uma das melhores gravações do país em 2005, o duo com a violinista japonesa Utae Nakagawa com quem já realizei três tournées e gravei CD no Japão, o trabalho com o Brasilii Trio, conjunto que se mantém ativo há quatorze anos com o violinista polonês Aureli Blaszczok e o violoncelista alemão Peter Trexler e o meu mais recente duo com Antonio Meneses que, além de realizar concertos em várias cidades brasileiras, também tem se apresentado no exterior e acaba de gravar em Londres CD que será lançado brevemente pela Avie.


Celina, como professora da UFMG, gostaríamos de saber sobre a importância e os desafios do ensino da música atualmente e como avalia a nova geração de músicos que está despontando no cenário musical brasileiro.

O grande desafio brasileiro, a meu ver, consiste em formar platéias cada vez maiores e educadas. O músico brasileiro depende desse mercado e o ensino de música ganhará objetivos mais concretos a partir do momento em que nosso meio passar a oferecer aos jovens uma perspectiva de valorização profissional. Talentos não nos faltam no Brasil, como também excelentes professores. Mas a formação de um músico só se completa e efetiva através de uma vivência musical abrangente, que é, em grande medida, extra-acadêmica, acontece fora da sala de aula. E é por essa meta que, de todas as formas, procuro trabalhar. Tento conscientizar os alunos sobre a importância de suas participações nos concertos, master-classes, concursos, festivais e em todos os eventos que lhes possam abrir os horizontes e servir de referência dentro do universo da música. E procuro dar-lhes incentivo através do meu exemplo pessoal, de minhas atividade artísticas e de promoção, bem como procurando estar presente sempre que posso em todos os eventos.


A senhora conhece o trabalho desenvolvido pelo Centro Cultural Pró- Música de Juiz de Fora? Se sim, como o avalia?

Sou testemunha do trabalho de alto mérito que o Centro Cultural Pró-Música vem desenvolvendo há tantos anos, fruto do esforço contínuo e idealismo de seus diretores. Exemplos como esse fazem nossa realidade musical crescer na direção do grande sonho de termos uma sociedade melhor, pois a música certamente é dos meios mais eficazes de elevar o ser humano.




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