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"Sigo de longe o belíssimo trabalho realizado pelo Pró-Música"
Um dos mais respeitados pianistas do país, Gilberto Tinetti encontra tempo na apertada agenda para atuar como coordenador musical da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano e para trabalhar na formação de novos músicos. Nesta entrevista, ele fala destes e de outros desafios.

Jornal Pró-Música - Quais são os desafios de ser responsável por definir a série de apresentações da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano?
GILBERTO TINETTI - A cidade de São Paulo possui hoje em dia uma agenda de concertos vastíssima, de enorme abrangência. Procuro me atualizar ouvindo muita coisa, além de lançamentos em CD que recebo como apresentador do programa Pianíssimo da Rádio Cultura FM de São Paulo e do que se publica em colunas especializadas de jornais e da ótima revista Concerto. Muitos artistas me enviam suas gravações que procuro ouvir com carinho e, claro, tenho uma longa experiência no conhecimento do trabalho dos meus colegas que se destacam pelo Brasil afora. Aliás, uma das características da nossa temporada é o destaque dado aos intérpretes e conjuntos brasileiros, sem esquecer os talentos jovens que começam a brilhar nas salas de concerto e concursos.
O que o público pode esperar da programação da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano para 2008?
A programação da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano apresenta sempre um tema ou um destaque para cada ano. Em 2008 teremos “Sons de Viena”. Cada concerto apresentará pelo menos um título de música escrita na capital da Áustria, que ocupou durante um vasto período a posição de capital da música clássica européia.
Em sua carreira multifacetada, merece destaque a atuação como pianista, sendo um dos mais respeitados do país. Como está sua atuação como camerista e recitalista e quais são os projetos para esse novo ano que está começando?
A música de câmara é minha praia preferida: tenho já agendados diversos compromissos nesse campo, em parceria, por exemplo, com o Trio de Cordas Brandão de Curitiba, com o violoncelista Watson Clis, e tenho especial prazer em fazer música com ótimos cantores, como Céline Imbert, Adriana Clis e Gabriella Pace. Várias apresentações neste setor da música de câmara vocal (canto e piano) estão programadas, especialmente para São Paulo e Curitiba. O repertório é vastíssimo e de grande beleza. Ao lado disto, deverei participar de um programa para 2, 3 e 4 pianos na Sala Cecília Meireles no Rio de Janeiro e de uma primeira audição de um concerto escrito para piano e banda sinfônica por um importante compositor holandês contemporâneo, ao lado da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.
Também é notória sua atuação na formação de pianistas. Quais são, os desafios, as particularidades e os resultados desta tarefa?
Apesar de ter me aposentado como professor de piano do Departamento de Música da ECA-USP, continuo atuando em aulas particulares e masterclasses de interpretação pianística. Agora em janeiro estive em Poços de Caldas, Minas Gerais, em cujo festival “Música nas Montanhas” estou trabalhando com masterclasses para jovens talentos pianísticos. Olhando para trás, verifico com emoção que meu trabalho didático de várias décadas (cerca de 50 anos de atividades) continua dando frutos mundo afora: vários dos meus ex-alunos trabalham em aulas e concertos nos Estados Unidos, na Europa, e claro, no Brasil também. A atividade pedagógica envolve uma especial dedicação, vocação e amor pelo que se faz, procurando passar para os alunos aquilo que se aprendeu com os grandes mestres em diferentes momentos. É mesmo uma missão, passar adiante o que se sabe, o que se vivencia.
Qual a sua avaliação sobre a atuação do Pró-Música e seus principais frutos, como a realização anual do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.
Sigo de longe o belíssimo trabalho realizado pelo Pró -Música de Juiz de Fora todos os anos em seus festivais de Música Antiga. Sou um grande admirador de Luís Otávio Santos e fico muito feliz em receber anualmente o CD de cada festival. Aliás, Luís Otávio já se apresentou em nossa temporada da Fundação Americano de São Paulo, por três vezes, e gostaríamos muito de tê-lo mais uma vez na temporada de 2009, que já começa a ser esboçada.
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