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Luís Otávio Santos, diretor artístico do festival, recebe maior reconhecimento da cultura brasileira

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Divulgação
Júlio César recebe do ministro Gilberto Gil a comenda em nome de Luís Otávio
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É uma grande honra receber a comenda. Com essa premiação, consolida-se ainda mais o meu trabalho junto ao Pró-Música, trazendo da Europa o que há de mais atualizado e reconhecido em termos de produção artística, levando a outros países a cultura brasileira e proporcionando oportunidades para novos talentos se desenvolverem.” Desta forma o diretor artístico do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga e diretor para assuntos internacionais do Centro Cultural Pró-Música, Luís Otávio Santos, reagiu à escolha de seu nome para receber a Ordem do Mérito Cultural 2007 pelo Ministério da Cultura. Para Luís Otávio Santos esta é a maior distinção dada à cultura no país. O músico acredita que, desta forma, tem-se reconhecida em nível nacional sua atuação na Europa. “Nos últimos quinze anos estas atividades se materializaram em dezenas de gravações de CDs com grupos europeus e vários discos solo, premiados naquele continente, como o “Diapason D´Or”.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do ministro da Cultura, Gilberto Gil, participou da cerimônia de entrega das insígnias no dia 7 do mês passado, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. O vice-presidente do Pró-Música, Júlio César Santos, recebeu a comenda em nome de Luís Otávio, em turnê pela Europa na data da entrega. O decreto assinado pelo presidente com a lista de personalidades agraciadas este ano foi publicado no dia 23 de outubro no Diário Oficial da União. Instituída em 1995, a comenda tem como objetivo tornar público o empenho de cidadãos e cidadãs que, de maneira significativa, destacaram-se na prestação de serviços à Cultura do país. Entre os cantores, atores, escritores, cineastas, compositores, artistas plásticos e outras personalidades que receberão a comenda este ano estão Bárbara Heliodora, Cartola (in memoriam), Claude Lévi-Strauss, Glauber Rocha (in memoriam), Grande Otelo (in memoriam), Grupo Nós do Morro, Oscar Niemeyer, Raduan Nassar, Sérgio Britto e Tom Jobim (in memoriam). Segundo o ministério, um dos quatro eixos temáticos ressaltados na 13ª edição da Ordem do Mérito Cultural é Arquiteturas, Cidades e Territórios. Além deste tema, foram priorizados nomes ligados à proteção e promoção da diversidade das expressões culturais, à arqueologia brasileira e às experimentações e técnicas inovadoras na área da convergência tecnológica.
Como diretor artístico do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga e diretor para assuntos internacionais do Centro Cultural Pró-Música, Luís Otávio tem a possibilidade de atuar como divulgador da produção brasileira no cenário internacional da música antiga executada de forma historicamente correta. Violinista premiado no exterior, ele atua com os mais conceituados grupos de música barroca no panorama mundial. Esta é a segunda vez que pessoas ligadas ao Pró-Música recebem a insígnia. Em 2002, a direção do centro cultural também foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural.
CARREIRA INTERNACIONAL
O músico Luís Otávio Santos é hoje um nome respeitado mundialmente no que se refere ao trabalho de resgate e divulgação da música antiga. Executar os sons de séculos passados com instrumentos de época exige do músico, especialista em violino barroco, dedicação e pesquisa, o que vem sendo realizado há 17 anos na Europa. Participar anualmente do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, promovido pelo Centro Cultural Pró-Música, de Juiz de Fora, é uma das maneiras de o músico trazer este trabalho para público, crítica e pesquisadores brasileiros. O Festival é também uma oportunidade de trocar experiências com nomes conceituados desta arte.
A contribuição do violinista vai além dos 15 dias do evento, porque, à frente da Orquestra Barroca do Festival, vem registrando, há sete anos, obras antigas de compositores estrangeiros e brasileiros de forma inédita, executadas da maneira original. No repertório da Orquestra, peças de J.S.Bach, G. H. Handel, G. P. Telemann, André da Silva Gomes e Lobo de Mesquita estão registradas em CDs, gravados com a mais alta qualidade técnica. Os instrumentos datam do século XVIII, como o violino barroco do regente, de 1750.
O violinista, de 35 anos de idade, destacou-se na Europa desde a adolescência. Em 1990, aos 17 anos, ingressou no Conservatório Real de Haia, Holanda, estudando violino barroco com Sigiswald Kuijken e cravo com Jacques Ogg. Em 96, recebeu a graduação máxima da Instituição, o “Solist Diploma”, depois de atuar como spalla da Orquestra Barroca do Conservatório por três anos. Desde 92, é um dos principais membros e solistas da La Petite Bande, uma das mais conceituadas orquestras barrocas no panorama mundial, e integra outros grupos, como Ricercar Consort, Le Concert Français e De Nederlandse Bachverening. Atua sob direção de importantes artistas, como Sigiswald Kuijken, Phillipe Pierlot, Gustav Leonhardt e Pierre Hantai, o que resultou na gravação de dezenas de CDs, programas para rádio e TV e turnês pelo Brasil, Argentina, Estados Unidos, China, Japão e países da Europa.
Em 1993, realizou uma turnê brasileira com o grupo Colegium Musicum Nederlandensis, interpretando As Quatro Estações, de Vivaldi, com aclamada gravação para a TVE. Em 2000, gravou a integral das sonatas de J.S. Bach para o selo holandês “Brillant”. Foi professor da “Scuola di Musica di Fiesole”, Itália, de 1997 a 2001. É convidado a lecionar violino barroco em diversos festivais, como o “Stage de Musique Barroque de Barbastre”, na França, Festival de Música de Brasília e Oficina de Música de Curitiba. Desde 1998, é professor de violino barroco no Conservatório Real de Bruxelas, na Bélgica.
É freqüentemente convidado como júri dos exames finais do Conservatoire National Superieur de Musique de Lyon e do Conservatoire de Musique de Geneve. Em 2004 foi professor convidado na Muzikhoheschule de Leipzig, Alemanha. É diretor musical da “Den Haag Baroque Orchestra”, que possui varios CDs gravados na Alemanha e realizou duas turnês no Brasil, onde regeu a Missa em si menor de Bach (Mosteiro de São Bento, São Paulo 2004) e o Magnificat de Bach (Sala São Paulo, 2003). Em 2004, gravou seu segundo disco solo com sonatas de J.M.Leclair (acompanhado pelo cravista Alessandro Santoro e o gambista Ricardo Rodriguez) para o selo alemão Rameé e recebeu o prêmio “Diapason D’Or”, a maior distinção concedida a um CD na França. No Brasil, Luís Otávio Santos é diretor artístico do Festival Internacional de Musica Colonial Brasileira e Musica Antiga de Juiz de Fora e regente da Orquestra Barroca do Festival. Este ano fundou e coordena o Núcleo de Música Antiga do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim-ULM em São Paulo, onde também é professor de violino barroco.
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