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"O trabalho do Pró-Música é um exemplo do que se pode
realizar com competência e, acima de tudo, um grande ideal"
A regente da Orquestra Jovem do Palácio das Artes, Ângela Pinto Coelho, fala da importância da música na formação do indivíduo e dá a dica para a profissionalização: "um dos pontos que devemos abordar, como educadores é a preocupação com a formação cultural dos músicos. O músico tem que ser completo. Ele deve, claro, procurar resolver todos os problemas técnicos do instrumento, mas, ao lado disso, tem que haver a preocupação com a verdadeira realização musical que engloba toda a formação cultural do indivíduo."

Jornal Pró-Música - Como foi sua trajetória até assumir a Orquestra Jovem do Palácio das Artes e como é o trabalho desenvolvido junto a estes jovens músicos.
ÂNGELA PINTO COELHO - Minha trajetória, como regente, tem raízes profundas na minha grande convivência como aluna e assistente do maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca. Foi ele quem me conduziu à carreira de regente e, em 1986, na classe do maestro David Machado, me formei na UFMG, como regente da orquestra. Com certeza, fui a primeira mulher, no Brasil, a reger uma Orquestra Sinfônica. Desde que assumi, em 1997, a direção da Escola de Música do Centro de Formação Artística do Palácio das Artes comecei a semear a idéia de criação de uma orquestra acadêmica. Penso que o estudo do instrumento é um processo muito individual, porém necessário e, nesse caso, logo que possível o aluno precisa ter contato com outros instrumentos, outros timbres, conhecer o repertório orquestral, trabalhar a afinação em conjunto, se preparar para ser um profissional "de verdade", e tudo isso, a Orquestra Jovem lhe proporciona. Assim, trabalhei arduamente para a criação desta, que hoje é a Orquestra Sinfônica Jovem do Palácio das Artes; atualmente com 67 músicos aberta a alunos de todas as escolas de Minas Gerais.
Quais são as suas outras atividades atuais? E os projetos futuros?
Sou a regente titular da OSJ do Palácio das Artes. Participamos, atualmente, de um projeto da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais, no qual os corpos estáveis da FCS, se apresentam pelo menos duas vezes por mês, em cidades do interior do estado. Ao lado disso, ainda nos apresentamos regularmente em concertos em Belo Horizonte. Devo destacar aqui o meu trabalho junto à Prefeitura de Santa Bárbara: há 16 anos, fundamos o Grupo Cantares, coral que hoje constitui um cartão de visitas da cidade. Em 1º de setembro, foi inaugurada a Escola de Música - Estação da Música José Luiz Pinto Coelho. Vejo aí um futuro cultural promissor para Santa Bárbara. A escola funciona no antigo prédio restaurado do complexo da Estação Ferroviária. Estamos iniciando com 126 alunos selecionados e matriculados. Oferecemos, além da educação musical, aulas de todos os instrumentos de orquestra, para as crianças a partir de 10 anos. A escola está diretamente ligada à Secretaria Municipal de Educação. Tenho ainda em Belo Horizonte, o Coral Ars Cantorum, grupo que criei em 1985. Com ele, recebemos vários prêmios nacionais.
Na sua avaliação, qual é a importância do trabalho de formação de jovens músicos e os desafios desta tarefa?
Hoje, está provado cientificamente que a alfabetização, quando acontece junto com a educação musical, proporciona ao jovem grandes possibilidades de se desenvolver, tanto quantitativamente quanto qualitativamente. Por outro lado, temos a consciência de que o caminho da arte é, para o jovem, um caminho que o levará, com certeza, a um porto seguro. Evidentemente que a nós cabe a responsabilidade de guiá-los e mostrar que arte se faz com entrega, dedicação, estudo e muito amor.
Como você avalia a nova geração de músicos que está sendo formada? Quais são as dicas que daria a quem está buscando o caminho da profissionalização?
Na verdade, vejo altos e baixos. Acho que um dos pontos que devemos abordar, como educadores é a preocupação com a formação cultural dos músicos. O músico tem que ser completo. Ele deve, claro, procurar resolver todos os problemas técnicos do instrumento, mas, ao lado disso, tem que haver a preocupação com a verdadeira realização musical que engloba toda a formação cultural do indivíduo. O que posso dizer a um jovem estudante é simples: leve muito a sério seu estudo. Trabalhe e estude muito. Seja sempre muito verdadeiro. É preciso persistência, coragem e vontade firme para vencer os obstáculos, que são muitos.
Qual a sua relação com o Centro Cultural Pró-Música e o que acha do trabalho desenvolvido pela instituição?
Uma vez regi a Orquestra Jovem do Pró-Música em um concerto comemorativo aos 80 anos de "Sua Alteza" D. João de Orleans e Bragança, em Paraty. Foi uma experiência maravilhosa. Com poucos ensaios, a orquestra apresentou um excelente resultado. Gostaria realmente de poder repetir um trabalho com essa orquestra. O trabalho desenvolvido pelo - consagrado nacionalmente - Pró-Música é um exemplo que deveria ser seguido por todas as cidades brasileiras. É um exemplo do que se pode realizar com amor, persistência, competência e, acima de tudo, um grande ideal.
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