Centro Cultural Pró-Música
Juiz de Fora - MG  


Entrevista/NELSON NILO HACK


"O trabalho desenvolvido pelo Pró- Música deveria
constituir-se em modelo para escolas de música"




Divulgação


O trabalho que desenvolvo no Pró-Música me faz lembrar os caminhos que tive que percorrer para chegar onde cheguei, e por isso o faço com toda a responsabilidade e a máxima seriedade." Assim o maestro Nelson Nilo Hack resume uma história de dedicação que já ultrapassa duas décadas à formação de músico em Juiz de Fora. Mas a trajetória deste artista e mestre inclui a formação de alguns dos maiores e mais consagrados músicos do país.

Jornal Pró-Música - Maestro, gostaria que o senhor nos falasse sobre sua trajetória até estar à frente das orquestras do Pró-Música.

NELSON NILO HACK - Minha formação musical realizei na Escola Nacional de Música da então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1943. Ali convivi com ilustres mestres, entre os quais Paulina d Ámbrosio (emérita violinista reconhecida internacionalmente ), José Siqueira (maestro fundador da OSB e da Ordem dos Músicos do Brasil), Francisco Mignone (regente e compositor) , Assis Republicano (compositor e professor de contraponto e fuga), Agnelo França e outros, realmente uma plêiade de professores eméritos. Paralelamente aos meus estudos integrava, como oboísta, a Banda de Música do Corpo de Bombeiros, cujas atividades incluíam os concertos da maioria dos eventos oficiais da capital da República. Após o término da guerra, em 1946, fui fazer estudos de aperfeiçoamento de oboé no Scala de Milão com Leandro Serafim. Ao retornar ao Brasil, passei a integrar, como oboísta, a Orquestra do Teatro Municipal. Foi um período de intensíssimo trabalho sob a direção dos mais renomados regentes internacionais, como Erich Kleiber, Túlio Serafim (regente mais categorizado das óperas de Verdi), Albert Wolff , da ópera de Paris e outros. A programação incluía grandes concertos sinfônicos com renomados solistas, como Yehudi Menuin, Gieseging, Guiomar Novais e Arnaldo Estrela. Também os elencos de cantores líricos que vinham para as temporadas de ópera incluíam artistas, como Beniamino Gigli, Renata Tebaldi, Leonard Warren, pois eram apresentadas no Teatro Municipal quatro óperas diferentes por semana. Em 1963, Maria Clara Machado, diretora do Teatro Municipal, incumbiu-me de organizar a Orquestra Juvenil do teatro. Sua intensa programação, que incluía concertos sinfônicos, ballets e óperas propiciou aos jovens condições de se destacarem como excelentes músicos no cenário nacional e internacional. Paralelamente, assumi a regência do Coral de Ópera do Teatro. Alguns anos depois, fui designado para organizar a Orquestra de Câmara da Rádio MEC da qual fui regente titular durante 20 anos. Como professor universitário destaco a formação do Coral Universitário da UFRRJ com o qual foi possível gravar obras importantes do repertório brasileiro, como a Missa do Padre José Maurício.


Como é o trabalho desenvolvido junto aos jovens do centro cultural? Na sua avaliação, de que depende o sucesso de um músico?

O trabalho que desenvolvo no Pró-Música me faz lembrar os caminhos que tive que percorrer para chegar onde cheguei, e por isso o faço com toda a responsabilidade e a máxima seriedade. Isto porque sei que, grande parte do êxito do aluno, não só depende do seu talento, como também da eficiência do professor.


O senhor, recentemente, foi eleito com o maior maestro pedagogo do país. Como o senhor recebeu este reconhecimento e a que o atribui?

Recebi o reconhecimento do meu trabalho pedagógico com muita satisfação, pois ele é o fruto dos esforços que não poupei para ajudar a juventude e da experiência que procurei adquirir com os grandes mestres. Não me canso de orientar os alunos no sentido de serem perseverantes e humildes, se desejam atingir um bom nível musical.


Na sua avaliação, qual é a importância do trabalho desenvolvido em várias partes do país, a exemplo do Pró-Música, em Juiz de Fora, em que a musica é usada como instrumento de ascensão social?

O trabalho desenvolvido pelo Centro Cultural Pró- Música deveria constituir-se um modelo para muitas escolas de música, tanto pelo estímulo que dá aos estudantes como pelas oportunidades que oferece para que eles venham a inserir-se num contexto social de maior valor cultural. Neste país continental , na verdade, precisaríamos ter no mínimo 150 orquestras sinfônicas.




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