Centro Cultural Pró-Música
Juiz de Fora - MG  


Entrevista/ROBERTO TIBIRIÇÁ


"Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e
Música Antiga é um dos mais importantes festivais do Brasil"




Divulgação


Em entrevista ao jornal Pró-Música o aclamado maestro Roberto Tibiriçá fala da dedicação ao Instituto Bacarelli, do projeto de gravar compositores pouco conhecidos e de sua participação na 18ª edição do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

Jornal Pró-Música - Como tem sido o trabalho como diretor artístico do Instituto Baccarelli?

ROBERTO TIBIRIÇÁ - Quanto ao Instituto Baccarelli foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Estou me dedicando diretamente a estas crianças e jovens. Eles são o futuro do nosso país. Tenho aprendido muito com eles. São lições de vida que temos diariamente. Quero poder fazer o máximo para orientá-los tanto na parte musical quanto emocional. Os problemas que eles têm são incomuns. A realidade em que vivem é totalmente oposta a nossa. O Instituto é a salvação de muito deles. E me sinto feliz e orgulhoso em poder participar disso.


Quais são os projetos do senhor para os próximos anos?

Minha vida está muito dedicada ao Instituto. Pretendo continuar lá e tentar expandir ao máximo nossos conhecimentos para outras cidades. Juntamente com isso, tenho minha carreira artística que continua sempre dedicada ao nosso país e à nossa música brasileira. Espero poder ainda fazer outras gravações de compositores brasileiros pouco conhecidos e também de obras historicamente importantes, que ainda não foram gravadas ou dar uma outra versão a elas.


Como é ocupar a cadeira número 5 da Academia Brasileira de Música? Qual impacto que essa eleição trouxe para a sua carreira artística?

Ser membro da Academia Brasileira de Música é uma grande honra para todos nós que dela fazemos parte. Minha eleição foi realizada em um momento muito importante da minha vida. Minha estrada no Rio de Janeiro durante quase 10 anos foi muito importante. Devo muito ao Rio. Foi lá onde recebi grandes manifestações de carinho e respeito pelo meu trabalho. Desde a OSB até a OPPM (hoje Petrobrás Sinfônica). Foram anos difíceis de lutas e vitórias, principalmente na formação de novas platéias. Sinto saudades. Mas nossa vida é assim mesmo: um dia aqui, outro lá... E a Academia muito contribuiu para tudo isso! É significante o prestígio que ela nos dá. Tenho muito orgulho dela participar ainda mais na cadeira de número 5, que pertenceu ao padre José Maurício Nunes Garcia.


Este ano, o senhor participou do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga à frente da Orquestra Sinfônica Heliópolis. Na sua avaliação, qual a importância desse e de outros eventos organizados pelo Centro Cultural Pró-Música?

Acredito ser hoje o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga um dos mais importantes festivais do Brasil. Foi muito emocionante para mim voltar ao palco deste maravilhoso Cine-Theatro Central, o qual reinaugurei com a OSB e depois ter voltado com a OPPM. Mas, desta vez, foi especial, pois foi o primeiro festival do qual a Sinfônica Heliópolis participou. O silêncio que reinava na sala foi contagiante. Quando começamos o 2º movimento da Sinfonia "Novo Mundo", de Dvorák, foi uma emoção contagiante. O calor com que fomos recebidos pelo público presente foi de extrema generosidade. Espero podermos voltar no próximo ano.


Assim como o Pró-Música desenvolve amplo trabalho de formação de músicos (entre eles muitos bolsitas), e de público, o Instituto Baccarelli também permite o acesso à cultura de jovens de comunidades de Heliópolis e outras regiões. Gostaria que o senhor nos falasse sobre a importância da música como instrumento de ascensão social e qual papel deve ser desenvolvido pelos centros culturais nesse sentido.

"A música salva"! Estas são palavras de um dos maiores brasileiros que conheço: Dr. Antônio Ermírio de Morais, nosso patrono! E ele tem toda a razão! Nosso outro patrono (musical), o maestro Zubin Mehta, disse em seu depoimento para o instituto que lastima não ter um projeto deste em seu país (Índia). Ele ficou tão encantado com o projeto que se auto-intitulou patrono. Eu acho que todas as cidades do nosso imenso Brasil deveriam ter um projeto social como o nosso. Começamos há 10 anos, mas começamos. O maestro Silvio Baccarelli teve a ousadia de iniciar a dar aulas para 30 crianças, depois do terrível incêndio que destruiu uma parte da comunidade de Heliópolis. Hoje temos 550 jovens entre coros e a Sinfônica e mais 450 em São Bernardo do Campo, onde transmitimos nossos conhecimentos e eles continuaram os trabalhos. Estamos começando a construção da nossa sede nesta próxima semana. Será uma das maiores Escolas de Música da América do Sul. Com 36 salas de aulas individuais, refeitório, biblioteca e um auditório para 600 lugares, com fosso de orquestra. Estaremos implantando o ensino da arte cênica, com o diretor Possi Neto e a Academia de Dança, com a minha querida amiga Ana Botafogo (que aceitou meu convite muito emocionada). Com isto, fechamos o ciclo: música, drama e dança! Será a casa de todos!




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