Centro Cultural Pró-Música
Juiz de Fora - MG  


Entrevista/Carlos Moreno


"O Pró-Música é um centro de excelência"




Divulgação


Em entrevista ao Jornal Pró-Música, o regente da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo fala sobre o início da sua trajetória musical, a importância das universidades na profissionalização dos músicos e a gratidão ao centro cultural, onde exerceu,“laboritorialmente”, as primeiras experiências como regente de orquestra.

Jornal Pró-Música - O senhor começou na música muito cedo e logo teve a oportunidade de ingressar em escola dedicada exclusivamente a crianças. Como avalia estas primeiras experiências musicais? O senhor imaginava ou desejava ser maestro?

Carlos Moreno - Certamente o apoio de minha família foi o instrumento que permitiu meu início na música, primeiramente ao piano, sob orientação de minha mãe, cantora lírica e pianista amadora, e ainda a oportunidade de assistir vários concertos do “Projeto Aquarius”. O formato de concertos para famílias é extremamente importante. Em meu caso, foi decisório para a escolha do violino como meu instrumento principal e ainda para o sonho, já de infância, de um dia estar lá na frente com a batuta na mão. Acredito, ainda, que tive a sorte grande de ingressar nos “Canarinhos de Petrópolis”, em que a prática diária de canto coral, musica de câmara, prática de orquestra, atividades como monitor de classes de musicalização e uma vivência internacional são o diferencial em minha carreira.


Uma parte de sua carreira se deu em orquestras dentro de universidades. Na sua opinião, qual é a importância das universidades brasileiras na formação de músicos? Há no Brasil uma educação musical bem estruturada, que possibilite a profissionalização dos músicos e a constante renovação das formações musicais?

Em nosso país, a cultura ainda funciona sob a gestão de instituições públicas devido ao momento cultural em que vivemos. As universidades estaduais e federais são estruturas que absorveram esta prática cultural, algumas com caráter de formação, estando dentro da grade curricular de ensino, outras profissionais em sua totalidade e, ainda, como é o caso da OSUSP, fazemos um projeto misto onde profissionais, que são a maioria, monitoram jovens com nível já profissional, oferecendo uma residência, um estágio em orquestra sinfônica. Este projeto vem a preencher a lacuna existente entre orquestras infanto-juvenis e as profissionais, objetivando uma formação final antes do instrumentista ingressar como um profissional nesta atividade tão específica que, na verdade, é o empregador da maioria dos músicos - instrumentos de orquestra - do mercado atual.


O senhor já estudou e se apresentou em vários países e sabe das dificuldades que são enfrentadas por quem deseja sobreviver de música no Brasil. Qual é o caminho que se deve percorrer quem pretende conquistar uma carreira no exterior?

Certamente o mercado é restrito, entretanto é importante observarmos que não existe um décimo da competição por postos de trabalho como, por exemplo, na Europa. Quero dizer que se o músico atingir um nível realmente profissional o mercado irá recebê-lo. Não podemos nos esquecer que Beethoven não nasceu em Petrópolis, que as orquestras sinfônicas profissionais brasileiras não são centenárias, que a maioria dos coros ainda irá comemorar bodas e todos ainda lutando contra uma onda muito potente de instrumentos de mídia, que excluíram a música clássica de seus meios de comunicação de massa. Entretanto, como Juiz de Fora, sabemos que Volta Redonda, Petrópolis,Tatuí e outras cidades fazem um importantíssimo trabalho de “musicalização” da sociedade. No exterior, além do alto nível exigido, é importante lembrar que, na maioria dos casos, a grande dificuldade é não ter direitos como cidadão. Em resumo, tanto aqui, como lá fora, somente se estabelece quem tem qualidade.


Qual é o desafio de estar à frente Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo? Quais são os requisitos para um músico conseguir um lugar de destaque nesta orquestra?

Na OSUSP, premiada em 2003 com o prêmio Revelação dado a este maestro, e em 2006, como melhor orquestra, estabeleceu-se o nosso trabalho dentro de um alto conceito. O maior desafio vem a ser o que se espera, mais, mais e mais. Temos muito a trilhar. A cada dia sobrevivemos a todas as dificuldades procurando ser grato por todas as pequenas coisas que recebemos. Atualmente, nota-se uma crise na gestão pública. Por estarmos atrelados a esta, valorizamos muitíssimo cada minuto de nosso trabalho. Somos uma orquestra que vence pelo entrosamento e vontade de fazer a melhor música possível, onde a harmonia nas relações pessoais são prioridade. Um alto nível artístico e uma percepção emocional elevada formam o perfil desejado para ingressar em nossa orquestra.


O Centro Cultural Pró-Música realiza um trabalho de formação de músicos há mais de trinta anos. Como o senhor avalia o trabalho desenvolvido pela instituição?

Nesta escola também tive a oportunidade de participar como aluno, realizando prática orquestral com o querido maestro Nilo Hack e ainda tive o apoio para desenvolver laboratorialmente minhas primeiras atuações como regente de orquestra, e por isso sou grato. Ao observarmos a continuidade deste trabalho e observando o aprimoramento das atividades como meta diária, tenho o Pró-Música de Juiz de Fora como um centro de excelência e ainda exemplar para todos aqueles que pretendem ser formadores de cidadãos através da música.




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