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“O Festival já se tornou evento obrigatório no calendário erudito do país”
Depois de passar o ano de 2006 abrindo espaço para jovens músicos, que iniciaram a trajetória no Pró-Música e hoje têm lugar de destaque nas principais orquestras do país, o Jornal Pró-Música realiza, em 2007, entrevistas com os maestros destas orquestras: os principais nomes no cenário da música clássica no país. O titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), Marcelo Ramos, inaugura a série, falando sobre a sua trajetória musical e as metas do grupo em 2007. Além disso, dá conselhos aos jovens músicos, demonstra sua admiração pelo trabalho desenvolvido pelo Centro Cultural Pró-Música e lança o desafio de Juiz de Fora criar uma orquestra profissional com atuação regular.

Jornal Pró-Música - Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre sua trajetória enquanto músico e maestro da Sinfônica de Minas Gerais
Marcelo Ramos - Eu convivo com música desde criança. Meu pai (Geraldo Barbosa) era maestro, contrabaixista e compositor, atuando na Orquestra Lira Sanjoanense em São João del Rei. Aprendi violoncelo e fui para Brasília cursar a Universidade. De lá, fui para a OSESP, como cellista, e permaneci por seis anos. Voltei para Brasília como maestro assistente, depois fui para Manaus como maestro residente por dois anos. Há quatro anos estou em Belo Horizonte, como maestro titular, realizando um trabalho bastante produtivo, com óperas, concertos e turnês pelo interior. Paralelamente à orquestra, gravei o segundo CD da série “Ofício de Trevas” do compositor mineiro Padre José Maria Xavier, abri uma editora de partituras brasileiras (Editora dos Inconfidentes, em breve com site no ar www.editoradosinconfidentes.com.br), integro a comissão nacional que vai instituir a Liga das Orquestras Sinfônicas Brasileiras, recém criada em São Paulo, e pretendo fazer estudos na Alemanha a partir do segundo semestre de 2007.
Em sua avaliação, quais foram as principais conquistas da orquestra em 2006 e quais são as metas para este ano que se inicia?
Em 2006, a OSMG completou 30 anos e fizemos a primeira temporada anual previamente divulgada da história da orquestra. Trouxemos maestros importantes que deixaram sua contribuição para o engrandecimento do grupo, como Isaac Karabtchevsky (que não se sentiu bem durante o concerto e foi substituído na hora por mim, que estava na platéia assistindo ao espetáculo), Roberto Tibiriçá e Ira Levin. Fizemos uma bem sucedida turnê pelo interior, que terminou em Juiz de Fora com um grande concerto em julho (durante o 17º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga), inesquecível para nós. Tivemos, ainda, uma grande promessa, que, se realizada, fará muito bem para Minas Gerais, que é a criação de uma Organização Social que irá cuidar da orquestra e trará maior agilidade a todos os seus setores. A meta para 2007 é completar as vagas em aberto, estabelecer salários pelo menos iguais aos da média nacional e estimular a especialização dos músicos para que se qualifiquem para esta nova fase gerida pela Organização Social.
Como o senhor avalia o mercado da música erudita no país? Que dica daria aos jovens músicos que pretendem se profissionalizar e conquistar um lugar em uma orquestra como a Sinfônica de Minas Gerais?
Uma coisa é o campo profissional para músicos; outra coisa é a situação das orquestras brasileiras. Acabei de voltar de um Fórum em São Paulo, onde debatemos muito este assunto com vários maestros e autoridades culturais do país. As orquestras passam por um momento difícil, pois suas estruturas não são profissionais o bastante para enfrentar o atual mercado de marketing, mídia e consumo cultural, de forma geral. Faltam profissionais especializados nas áreas administrativa e técnica de produção. Falta visão de mercado, falta pensar como uma empresa! Hoje em dia não se pode divulgar um concerto apenas com um anúncio no jornal e algumas inserções no rádio. Isso é muito pouco. As ações precisam ser amplas, envolvendo mais a comunidade. Por outro lado, o campo profissional erudito para músicos deve ser um dos mais abertos do país. As orquestras sempre têm vagas, sobretudo para instrumentos de corda. O caminho é um só - estudar e fazer os testes! E, aproveitando o assunto, eu deixaria no ar uma pergunta às autoridades de Juiz de Fora: - Não está passando da hora de Juiz de Fora ter uma orquestra profissional com uma temporada regular? A cidade é uma das mais importantes do estado e tem uma população que gosta de música, além de um teatro que tem estrutura para tal. Para uma prefeitura, não há cartão de visitas melhor do que este. Uma orquestra pode mudar a realidade social de uma região inteira, pois lida com educação, entretenimento, orgulho e inclusão social. Mas um conselho - não façam orquestra com o modelo de funcionalismo público! Não façam concurso público! Este é o calcanhar de Aquiles da arte no Brasil. Este modelo impede a reciclagem dos artistas e trava o desenvolvimento das instituições. A grande saída hoje são as “oscips” (organizações sociais de interesse público), com as quais se torna possível uma administração eficiente.
A Sinfônica de Minas Gerais apresentou-se, no ano passado, no Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, promovido pelo Pró-Música. O que o senhor poderia falar sobre o trabalho desenvolvido pelo Centro Cultural Pró-Música e sobre o Festival?
Marcelo Ramos - Antes de tudo, um aviso: para 2007 já reservamos espaço na agenda para voltarmos a Juiz de Fora em julho. O Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga já se tornou evento obrigatório no calendário erudito do país. A presença de artistas consagrados e a relação do Festival com a música antiga o fazem especial, dentre os demais festivais. Parabéns ao Pró-Música, a nossos amigos Hermínio e Isabel que dão bom encaminhamento a todas as questões musicais da cidade e um abraço carinhoso para este público maravilhoso de Juiz de Fora.
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