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Entrevista - Pierre E Daniel Bredel


'O Pró-Música foi decisivo na minha
escolha de me tornar músico profissional'


Divulgação

Embora tenham seguido caminhos distintos na música, Pierre Bredel (à esquerda) é violista e Daniel Bredel, contrabaixista, os irmãos têm em comum a trajetória musical iniciada no Pró-Música, onde tiveram o primeiro contato com os instrumentos que lhes garantiram lugar de destaque em duas das principais orquestras profissionais do país. Enquanto bolsistas do Projeto Ação Social Através da Música, desenvolvido pela instituição com o apoio da Belgo, eles tiveram a oportunidade de ter aulas com professores renomados, integrar as orquestras mantidas pela instituição, sob o comando do maestro Nelson Nilo Hack, e participar de várias edições do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Hoje, os músicos profissionais falam das suas carreiras, dos planos para o futuro e da importância do centro cultural na trajetória de cada um.

Jornal Pró-Música - Como foi a trajetória de vocês, desde a iniciação na viola (Pierre) e no contrabaixo (Daniel), até se tornarem integrantes de orquestras profissionais?

Pierre Bredel Antes de começar a tocar viola, estudei piano e um pouco de violino. Quando comecei a estudar no Pró-Música, fui incentivado a tocar viola, tendo aulas com o maestro Nelson Nilo Hack. Apaixonei-me pelo instrumento. Desde que mudei para a viola, não parei mais de estudar. Depois disso, comecei a dar aulas também no Pró-Música. Em 2000, decidi mudar para Belo Horizonte para fazer faculdade. Em BH, ganhei mais experiência tocando em orquestras e quartetos. No final de 2004, me formei e fiz concurso para a Orquestra Sinfônica Nacional do Rio de Janeiro (OSN). Passei e me mudei para o Rio em 2005.
Daniel Bredel Comecei a tocar contrabaixo aos 13 anos, no Pró-Música, por sugestão da dona Maria Isabel, tendo aulas com o professor José Oliveiro, de quem depois fui colega na Orquestra de Câmara Pró-Música. Mais tarde, passei a ter aulas no Rio de Janeiro, com o professor Renato Sbragia e, posteriormente, com a professora Valéria Guimarães, aulas que foram proporcionadas pelo Centro Cultural Pró-Música. Em 2000, passei no vestibular para a Escola de Música da UFMG, onde estudei com o professor Fausto Borém, e, em fevereiro de 2004, me tornei contrabaixista-solista da Orquestra de Câmara Musicoop/Sesiminas.

Na avaliação de vocês, qual é a importância do Centro Cultural Pró-Música na formação, em especial a atuação ao lado do maestro Nelson Nilo Hack?

Pierre Bredel O Pró-Música foi decisivo na minha escolha de me tornar músico profissional. Sempre fui bolsista do Pró-Música e quase todos os dias estava lá, estudando, dando aulas ou ensaiando. Além de ter aulas de instrumento e dar aulas, também tocava nas orquestras e grupos de câmara, além de assistir muitos concertos. Com todas essas atividades, ganhei experiência, além da certeza do que queria para mim: vencer todos os obstáculos que aparecessem para me tornar um bom músico. Não posso esquecer de falar que também participei de várias edições do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Era sempre muito bom, porque conhecíamos muitos músicos de outras cidades, com quem podíamos trocar experiências. Além disso, os professores que dão aulas no Festival são muito conceituados. Eu tive muita sorte, porque, além de ser orientado pelo "maestro" (como carinhosamente nós, alunos, chamamos o Nilo Hack) nas orquestras, eu era aluno dele de viola e pude compartilhar toda a sua experiência e ouvir suas muitas histórias.
Daniel Bredel O Centro Cultural Pró-Música me permitiu ter contato com grandes músicos, assistir a ótimos concertos, o que é muito importante para crescimento humanístico e cultural do homem, além da experiência de tocar em orquestra e a possibilidade de estudar música. Principalmente, o contato com o maestro Nilo Hack. Ele é uma das pessoas mais doces e abertas que já conheci, que mais se dedica aos jovens, que tem uma experiência incrível, pois já trabalhou com Villa-Lobos, Radamés Gnatalli, Guerra-Peixe e Cláudio Santoro, entre outros.

Como vocês avaliam o mercado de trabalho para os jovens músicos que, como vocês, iniciaram a formação no Pró-Música e pretendem se profissionalizar? Quais são os principais desafios existentes hoje, e qual seria a dica que vocês direcionariam para eles?

Pierre Bredel O mercado de trabalho para músicos é bastante diversificado. Podemos atuar tocando música clássica ou popular, gravando CDs, tocando em orquestra, shows, lecionando. Um músico que toca bem, consegue emprego fácil em qualquer cidade, porque as possibilidades de trabalho são diversas. Ser músico é interessante, porque você faz algo que gosta, que é extremamente prazeroso, sendo remunerado por isso. A dica é acreditar no sonho se dedicar bastante.
Daniel Bredel Infelizmente, o mercado de trabalho para músicos em Minas Gerais é restrito, já que só temos duas orquestras sinfônicas, duas orquestras de câmara e um coro profissional. Entretanto, há também um grande interesse pelo ensino de música e várias escolas onde se pode trabalhar. De qualquer modo, há, ainda, as orquestras de outros estados. Conheço muitos juizforanos tocando em orquestras de Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. A dica que posso dar é que eles estudem bastante e não faltem aos ensaios das orquestras Sinfônica Jovem e de Câmara do Pró-Música, pois esta experiência será válida durante toda sua vida como profissional.

Vocês desenvolvem alguma atividade paralela além da participação na orquestra? Quais são os seus projetos para este ano?

Pierre Bredel Além de tocar na orquestra, toco também na Orquestra Sinfônica da UFRJ e no Quarteto de Cordas Plenus. Meu projeto esse ano, além do meu constante aperfeiçoamento na viola, é estudar para fazer as provas para o mestrado da UFRJ e da UNI-Rio.
Daniel Bredel Sim. Tenho um duo com o pianista Diogo Camisassa, dou aulas e toco como solista e integrante convidado de outras orquestras em Minas Gerais. Tenho um recital marcado em Patos de Minas no próximo mês com o duo. Pretendo realizar ainda este ano um concerto junto com o soprano Érica Mendes.



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