"O Pró-Música coloca o aluno no mercado de trabalho"

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Divulgação
"Deveria haver uma escola de música, como o pró-música, em cada estado"
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Ex-aluno do maestro Nelson Nilo Hack, o violinista Vitor Dutra já trabalhou com grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Gal Costa e Flávio Venturini. Mas, hoje, aos 29 anos, ele ainda se lembra das viagens que fazia a cada 15 dias ao Rio de Janeiro para ter aulas com o professor Paulo Bosísio. Oportunidade oferecida a ele gratuitamente pela Escola Pró-Música. Vitor atuou como spalla e solista da Orquestra de Câmara Pró-Música. Foi professor de violino e regente da Orquestra Escola Pró-Música. Atualmente, está cursando bacharelado na Universidade Federal de Minas Gerais sob a orientação do professor Edson Queiroz. È membro da Orquestra Experimental da Universidade Federal Ouro Preto e da Orquestra de Câmara do Sesi Minas e músico convidado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Tem se apresentado também em um duo de violino e piano com o pianista Ernesto Harttman pelo interior de Minas.

Jornal Pró-Música - Como você vê o mercado de trabalho para músicos de concerto atualmente?

Vitor DutraPara ser um solista, como Nelson Freire, no Brasil, o mercado não é muito bom. Você tem que estudar muito, mas tem que trabalhar também. O mercado para músicos de orquestras também não é muito bom. Existe muito músico que
não está inserido no mercado de trabalho. Temos poucas orquestras
sinfônicas, dá para contar nos dedos. Em São Paulo, há mais de uma orquestra , mas poucas como a OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). Na maioria, os salários são baixos, não há investimentos nos músicos. São reduzidos os investimentos do Governo e da iniciativa privada.O mercado é muito concorrido, as oportunidades são poucas e o investimento, para os músicos, é alto.

O que, na sua opinião, forma um músico capaz de disputar espaço neste cenário?

O que forma um músico é o investimento e a insistência, são muitos obstáculos. Ele não pode desistir. Os instrumentos são caros. Um, que seja razoável para começar a tocar em orquestra profissional, custa em média cinco mil dólares. E também, ele tem que investir em aulas com professores mais experientes, essas aulas geralmente são caras. Às vezes, as aulas são em outra cidade, e aí, aprecem outros gastos, com passagem e hospedagem. O músico tem que se desdobrar, pois ele precisa de tempo para estudar, só que também precisa trabalhar.

Por vários anos, você foi spalla da Orquestra de Câmara Pró-Mùsica. Em que medida esta experiência foi importante na sua trajetória e em suas conquistas como músico?

Como spalla tive oportunidade de crescer como músico. Pude tocar com grandes solistas. Participei de viagens, de concertos, da gravação do 7º CD do Festival. Foi um período de amadurecimento. A minha concepção profissional mudou, mas quando era spalla, aprendi a ter postura, a me comportar.O Pró- Música foi muito importante na minha vida, não só na minha carreira, cresci como pessoa. O trabalho do Pró-Música é reconhecido internacionalmente, o Festival está aí como prova disso. Em 1999, fui convidado para trabalhar na turnê do Flávio Venturini, isso me trouxe várias oportunidades. Conheci vários músicos, fiz meu nome. E, aos poucos, outros convites começaram a aparecer. Trabalhei com 14 Bis, Caetano Veloso, Gal Costa. Fui 1o violino do Quarteto de Cordas e atuei na Orquestra de Câmara da UniBH.

Como vê o projeto desenvolvido pelo Centro Cultural Pró-Música de formação de músicos e manutenção de orquestras?

É um trabalho maravilhoso. È um ciclo. O Pró-Música não prende o aluno, coloca-o no mercado de trabalho. O aluno sai com experiência, pois passou pelas orquestras, sabe como funciona, lá fora. O trabalho social incentiva os alunos. Muitos deles, quando entram na escola não sabem a proporção do projeto que é realizado. Como aquelas aulas podem modificar imensamente a vida daqueles que se dedicam. Deveria haver uma escola de música, como o Pró-Música, em cada estado.
