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Juiz de Fora - MG  


Carlos Bracher de volta à Juiz de Fora


O reencontro de Carlos Bracher e o público juizforano
no Pró-Música



Divulgação


Conseguir falar com Carlos Bracher não é tarefa das mais fáceis. O juizforano, que mora em Ouro Preto, tem feito visitas cada vez mais freqüentes ao Rio de Janeiro. Conversar com ele, no entanto, é sempre tão prazeroso quanto observar suas obras. Com voz serena e pausada, raciocínio articulado e fala poética, Carlos Bracher comenta sobre a expectativa de voltar a expor em sua terra natal, depois de quase oito anos afastado das galerias juizforanas. "Expor na terra da gente é como se fosse expor para a família e para os amigos. É o nosso mundo. A arte se expressa com mais ardência e veracidade."

O cenário para o reencontro dos juizforanos com um dos principais nomes da arte brasileira será a Galeria Renato de Almeida do Centro Cultural Pró-Música, que abre as portas para a exposição "Flores entre paisagens", com curadoria e coordenação de Sérgio Pereira Silva, que entra em cartaz no dia 28 de outubro. Quem aceitar o convite, poderá conferir cerca de 28 obras recentes, boa parte delas, inédita. Bracher, por meio de sua arte, propicia uma viagem plástica às paisagens naturais do Rio e de Parati. As montanhas, o mar, o céu, a Lagoa Rodrigo de Freitas. A estação das barcas também se faz presente. Emoldurando os painéis da galeria e em plena primavera, muitas flores. Em jarros, arranjos, a sós. A escolha da Cidade Maravilhosa, segundo ele, deve-se à ligação cultural e histórica que os mineiros, em especial os juizforanos, mantêm com o Rio. "É o nosso cenário." Já Parati foi "descoberta" depois de uma temporada por lá. "Achei a cidade encantadora." Como não poderiam faltar, as paisagens mineiras, em especial casarios de Ouro Preto, estão na mostra.


Divulgação

Exposição "Flores entre paisagens", na qual as cores estão mais soltas e ardentes, marca o retorno de Bracher à cidade, depois de quase oito anos afastado das galerias juizforanas.

Um aspecto curioso da mostra são as cores. "Percebo que estão mais soltas, mais ardentes em relação à luminosidade. Há uma força que eu não entendia antes." Na opinião de Bracher, a cor carrega em si o enigma da revelação dos estágios humanos mais íntimos, sejam eles de alegria ou dor. "São tradutoras de mim", revela. Sobre a exposição, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, que assina o texto de abertura, identifica na obra de Bracher uma dimensão gótica, procedente do partido expressionista, que verticaliza as arquiteturas e confere tragicidade às cores que elevam os volumes, adelgando formas e tensionando o cenário. "Terras, azuis e verdes reverberam o mistério das pedras de Ouro Preto e a magia de suas montanhas, dentro da luz única que inunda a cidade e comove o olhar do artista." Quanto às flores, avalia que o artista recolhe frutos de rico sabor. "As flores lhe permitem a explosão sem limites da operação pictórica (...). Por vezes, hastes e caules evocam a verticalidade das torres, sem impedir que, de novo, corolas elípticas ponham em cena a volúpia barroca da espiral." Para Ângelo, Bracher cria com tanta paixão, que pintar já se tornou um fenômeno existencial.


Família voltada para as artes

Mineiro de Juiz de Fora, Carlos Bracher nasceu em uma família voltada para as artes plásticas e a música. Em 1967, obteve o "Prêmio de Viagem ao Estrangeiro", do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, através do qual permaneceu por dois anos na Europa, entre estudos e viagens. Desde 1970, vem expondo nos principais museus e galerias do país. Por sua participação intensa, recebeu, em 1980, o Prêmio Hilton de Pintura, da Funarte, como um dos dez artistas que mais se destacaram no Brasil, ao lado de nomes, como Siron Franco, João Câmara, Tomie Ohtake, Cláudio Tozzi. No exterior, realizou exposições individuais em Paris, Roma, Milão, Madri, Haya, Lisboa, Miami e Santiago do Chile. Com o título de "Pintura Sempre" e curadoria de Olívio Tavares de Araújo, em 1989 foi realizada retrospectiva de sua obra no MASP, Museu Nacional de Belas Artes do Rio, Palácio das Artes de Belo Horizonte, Teatro Nacional de Brasília e Museu de Arte Contemporânea de Curitiba.

Na década de 90, pintou longa série de cem quadros, intitulada "Homenagem a Van Gogh", exposta no Museu de Arte de Belo Horizonte, Galeria Sadalla de São Paulo, Simões de Assis de Curitiba e Galeria Bonino e D`Bieler do Rio. Posteriormente, a exposição foi exibida em Rotterdam, Paris, Auvers-sur-Oise, Londres, além de Pequim, Tóquio e Bogotá. Com quatro livros editados sobre sua obra, Bracher integra 12 outros livros de arte, tem obras nas mais importantes salas do país e do mundo e conta com o reconhecimento dos principais críticos do país e de nomes, como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Ferreira Gullar, Moacyr Laterza e Affonso Romando de Sant'Anna. "E vamos em frente", como costuma dizer o artista ao final de cada conversa ao telefone.


Aguarde!

O Centro Cultural Pró-Música divulga, em dezembro, os editais para ocupação da Galeria Renato de Almeida e para as Terças Musicais em 2005.


Centro Cultural Pró-Música
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