Festival, patrimônio da cidade, interfere
na produção cultural do país

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Divulgação

Colégio Academia foi, mais uma vez, o ambiente ideal para os quase 900 alunos do Festival se aperfeiçoarem nos 55 cursos e oficinas oferecidos durante 15 dias
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O Festival é um patrimônio da cidade de Juiz de Fora. Essa é a conclusão depois da grande festa que marcou os 15 anos do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, realizado pelo Centro Cultural Pró-Música, entre os dias 18 de julho e 1º de agosto. O comprometimento de público, autoridades, empresariado e artistas mostra o prestígio do evento. Prestígio esse que vai além das fronteiras brasileiras, o que é constatado por meio de grupos estrangeiros, como o do México e o de Portugal, que solicitaram a participação nesta edição. O destaque na mídia nacional também revela o respeito a esse evento, maior realização da música antiga no país. Dois grandes momentos devem ser lembrados nesta década e meia de Festival: a gravação do DVD da Orquestra Barroca e a montagem da Ópera Zaíra, primeira composta no Brasil cuja partitura sobrevive.
O vice-presidente do Pró-Música, Júlio César Santos, ressalta detalhes que constatam o envolvimento em torno do Festival. "Para recebermos alunos-bolsistas, tivemos o apoio da Prefeitura de Juiz de Fora, que reformou o Cesporte. O Colégio Academia é outro grande parceiro, que colocou sua estrutura de primeiro mundo à disposição dos alunos do Festival. Os patrocinadores não podem ser esquecidos, assim como os artistas e os alunos. Cada vez é maior o número de solicitantes que querem participar da programação cultural. Não podemos deixar de ressaltar a presença do público, que, mesmo nos dias mais frios, lotou as casas de espetáculos." O grande número de atrações permitiu uma programação mais extensa nos 15 anos. Em alguns dias, foram dois concertos noturnos, às 20h e às 21h, em locais diferentes para um público sempre vibrante e certo de que o Festival "é um projeto que teve a competência de interferir na produção cultural do país".
Confira os destaques dos 15 anos do Festival:
Ópera Zaíra: O ineditismo desta obra, composta no início do século XIX por Bernardo José de Souza Queiroz, no Brasil, despertou interesse no meio musical e na imprensa especializada de todo o país. O espetáculo foi aguardado com expectativa pelos participantes do Festival e pelo público, que superlotou o Cine-Theatro Central na noite de 31de julho para conferir a tragédia da escrava Zaíra, contada em pouco mais de três horas. A montagem exigiu muitas frentes de trabalho. O primeiro momento foi a pesquisa do musicólogo Rogério Budasz, que recuperou as partituras. O empenho dos participantes da obra e do diretor Walter Neiva, para a preparação dos atores, da cenografia e da iluminação desta complexa obra durante as duas semanas do Festival, foi imprescindível, assim como o de Sérgio Dias à frente dos músicos e de todos os outros profissionais envolvidos. Foram dias difíceis, horas e mais horas de ensaio fora do palco original em que seria encenada a ópera e apenas um dia de trabalho no Central. O esforço valeu a pena e, ao final do espetáculo, a certeza de que o Festival tinha cumprido mais esse desafio: levar ao público uma obra que estava perdida, e com ela reviver um capítulo da nossa história.
Gravação do DVD pela Orquestra Barroca: a gravação do DVD e do CD com o concerto da Orquestra Barroca é um marco para a evolução da música antiga no Brasil. Com o lançamento, em dezembro, músicos terão um referencial de estudo não só auditivo, mas visual. Três mil cópias serão distribuídas no Brasil e no exterior com CD e DVD em uma única embalagem. Desde o terceiro Festival, os lançamentos de CDs com registros de obras resgatadas colaboram para o crescimento dos sons do passado no país. A Orquestra registrou a Cantata BWV 214 "Tonet, ihr pauxken! Erschallet, trompeten!, de J.S.Bach, e obras de J.M. Leclair, F. Durante, P. Antonio Avondano e F. J. Ferreira Coutinho. A gravação foi realizada no Museu Mariano Procópio, o que vai permitir que o espectador seja transportado ao passado não só através do som, mas por meio das imagens. O apoio da direção do museu foi fundamental para o trabalho.
Cursos e oficinas: um recorde foi registrado nestes 15 anos de Festival. Oitocentos e oitenta e nove alunos participaram dos 55 cursos e oficinas. No ano passado, foram 750 participantes e, nas edições anteriores, a organização do evento aceitava um máximo de 600 alunos. O vice-presidente do Pró-Música, Júlio César Santos, explica que as solicitações extrapolaram os limites e, mesmo a direção do Pró-Música permitindo a presença de quase 900 alunos, muitos pedidos tiveram que ser negados, inclusive de estudantes estrangeiros. Alguns cursos e oficinas, como os de canto e violino, foram os primeiros a terem as vagas esgotadas. Em outros, como no caso da musicalização infantil, foi possível aumentar o número de participantes por causa da possibilidade do trabalho em turmas.
Academia de Comércio: Num cenário em que predomina a arquitetura do século XIX, músicos de todo o país resgataram e executaram a música típica dos séculos XVIII e XIX. A Academia de Comércio, uma das mais tradicionais escolas de Juiz de fora, foi tomada pelos quase 900 participantes do Festival. Pelo segundo ano consecutivo, a instituição abraçou o evento e abriu espaço para as aulas e audições durante todo o Festival, se firmando como o ambiente ideal para o aperfeiçoamento dos instrumentistas. Durante 15 dias, os músicos tomaram salas, corredores, pátios e salões do colégio e encheram de música o ambiente amplo e arborizado característico do lugar.
Encontro de Musicologia: O 6º Encontro de Musicologia Histórica, realizado entre 22 e 25 de julho, firmou-se como o maior encontro brasileiro específico em musicologia, tendo em vista o número de edições realizadas de forma ininterrupta. Nos quatro dias de evento, pesquisadores convidados e inscritos apresentaram 33 comunicações e outros 12 trabalhos temáticos, variações sobre o mesmo tema: "Perspectivas metodológicas no estudo do patrimônio arquivístico-musical brasileiro". De acordo com o coordenador Paulo Castagna, esta edição foi especial, tendo em vista a comemoração dos dez anos de evento. Um momento de destaque foi o lançamento dos Anais do 5º Encontro, com os 27 textos apresentados em 2002, uma publicação da Editora Pró-Música. Os textos selecionados e apresentados no 6º Encontro serão publicados nos anais do evento.
Grupos estrangeiros: As atrações internacionais estão entre os destaques desta edição. Dos Estados Unidos, veio o Los Angeles Children´s Chorus, que encantou o público com a execução de músicas brasileiras. Os músicos mexicanos, integrantes do Volta Musica Antigua, apresentaram uma viagem sonora aos séculos X e XVII. O pianista Christian Leotta, da Itália, foi outra atração internacional que ganhou os palcos de Juiz de Fora. A cidade integrou a turnê pelo país onde foi executada a íntegra das 32 sonatas de Beethoven. O Banchetto Musicale Ensemble, conjunto de música antiga de Portugal, apresentou ao público a proposta de difundir o patrimônio musical europeu.
O 15º Festival em números
- Público de 80.000 pessoas
- 889 jovens participantes dos cursos
- 52 professores vindos de várias partes do Brasil e do mundo
- 1.200 diárias de hotel
- 1.920 refeições
- 457 músicos
- 150 alojamentos
- 55 cursos nas áreas de cordas, orquestras e vozes
- 49 concertos em Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Ouro Preto e Tiradentes
- 16 audições de alunos
- 6 orquestras
- 1 recital didático
- 1 exposição de artes plásticas
- 5 formações de alunos (Orquestra de Crianças do Festival, Orquestra Experimental do Festival, Madrigal do Festival,
- Banda Sinfônica do Festival e Orquestra Sinfônica do Festival)