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Ópera Zaíra: marco na história


Ópera Zaíra: marco na história da música brasileira será revivido nos 15 anos do Festival



Divulgação

Maquete do cenário em preparação para a montagem da ópera
que vai ocupar o palco do Cine-Theatro Central

A Ópera Zaíra, um marco importante na história da música brasileira, é um dos destaques dos 15 anos do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Zaíra é a mais antiga ópera composta no Brasil cuja partitura sobrevive. A obra do português Bernardo José de Souza Queiroz, que passou a maior parte da vida no Brasil, no início do século XIX, foi restaurada pelo musicólogo Rogério Budasz. Outro musicólogo, Sérgio Dias, sugeriu ao Centro Cultural Pró-Música a montagem da ópera, e o desafio, dada a complexidade do projeto, foi aceito pela instituição de Juiz de Fora, que dedica-se à música há mais de 30 anos.

Para dar vida ao projeto, o Centro Cultural Pró-Música convidou respeitados profissionais e propôs outro desafio: a preparação de parte dos músicos durante as duas semanas de oficinas do Festival. Para isso, o curso Prática de Orquestra Colonial, cujas aulas são ministradas por Sérgio Dias, foi adaptado para a oficina de ópera. Alunos inscritos em outros cursos poderão assistir a preparação entre o dia 18 de julho até a véspera da apresentação, que será realizada em 31, às 20h, no Cine-Theatro Central.

A idéia é montar um espetáculo utilizando técnicas de cenografia e iluminação do próprio período de composição da ópera. Contada em dois atos, a história se passa em um harém em Jerusalém, após a retomada da cidade pelos turcos, durante as cruzadas. Anos depois de encerradas as batalhas, o sultão Orosmane ainda mantém prisioneiros os cavaleiros europeus, entre eles Lusignano, um velho príncipe descendente dos reis cristãos de Jerusalém. A história se mantém atual, por tratar da questão da intolerância religiosa entre cristãos e muçulmanos.

Sobre o autor da ópera, o musicólogo Rogério Budasz explica que ele é ainda um personagem praticamente ignorado na história da música brasileira. Souza Queiroz teria composto Zaíra antes de 1816, tendo como fonte a tragédia Zaïre, de Voltaire, estreada em 1732. O autor utilizou-se do mesmo libreto de Mattia Botturini, revisado por Caravita e musicado em 1802 por Marcos Portugal.

A direção e a cenografia do espetáculo são de Walter Neiva, um dos principais diretores de ópera do Brasil. Ele iniciou seus trabalhos em 1987 e já dirigiu, entre outras, as óperas Don Pasquale, A Flauta Mágica, La Traviata, Barbeiro de Sevilha, La Forza del Destino e Pedro Malazarte. A criatividade em cenários e os formatos alternativos e funcionais são marcas nas obras de Walter Neiva, que também serão utilizados na montagem durante o Festival, em Juiz de Fora. A execução do cenário está a cargo de Paulo Sérgio Talarico. O espetáculo será regido pelo maestro Sérgio Dias. A personagem Zaíra será interpretada pela soprano catarinense Kalinka Damiani, graduada em Música pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Por suas interpretações, Kalinka já recebeu vários prêmios. Sua última atuação na temporada 2004, foi no papel de Rainha da Noite, na ópera A Flauta Mágica, de Mozart, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Zaíra


Ópera em dois atos composta no Rio de Janeiro entre 1808 e 1815
Baseada em Zaïre, de Voltaire
Música de Bernardo José de Souza Queiroz
Libreto de Mattia Butturini, revisado por Giuseppe Caravita

Direção musical: Maestro Sérgio Dias
Direção e cenografia: Walter Neiva
Regente do coro: Valéria Matos
Restauração da partitura: Rogério Budasz
Preparação vocal: Neyde Thomas
Pianista correpetidor: Renato Figueiredo

Apresentação:
Cine-Theatro Central
31 de julho - 20h - Juiz de Fora
15º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga


Personagens:
Orosmane (Sultão): Marcos Liesenberg
Lusignano (Velho príncipe cristão, prisioneiro de Orosmane): Murilo Neves

Zaíra (Filha de Lusignano): Kalinka Damiani
Nerestano (Cavaleiro cristão, irmão de Zaíra): Maécio Gomes

Fátima (Escrava, confidente de Zaíra): Tatiana Figueiredo
Corasmino (Vizir, conselheiro do Sultão): Jefferson Pires


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