Retorno às origens em ´Vós sois digno´, cartaz do mês da Galeria Renato de Almeida

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Fotos: Divulgação

O artista plástico Eduardo Borges uniu poesia e história para criar as peças da mostra
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O livro "O mal do arquivo", tenso e de difícil leitura, de autoria do psicólogo Jaques Derridá, foi o ponto de partida para a "viagem" de Eduardo Gomes rumo à genealogia da própria família, como ele mesmo define. Depois de anos de pesquisa, o artista plástico não apenas descobriu seus ascendentes, como identificou um traço comum entre a sua e todas as outras histórias familiares. O resultado artístico desta descoberta pode ser conferido em "Vós sois digno", união de poesia e história em forma de mostra, em cartaz durante o mês de maio, no Pró-Música.
De posse de fotografias e documentos antigos, guardados por um tio, Borges começou a revirar o baú de casa e se encantou com o que descobriu. O avô do seu tataravô havia chegado ao Brasil junto com D. João VI, fugido de Portugal. No país, ele e seus descendentes fizeram história fundindo ca-nhões e, depois, estátuas públicas no "Arsenal de Guerra". Borges descobriu, ainda, que sua tataravó, Virgínia, era escrava. "Isso me tocou. Fiquei me questionando a importância dos negros e a dignidade de pessoas como ela, que eu não conheci." O nome da exposição, aliás, é parte de um poema que Borges escreveu em homenagem a Virgínia.

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Em "Vós Sois digno", negros, portugueses, italianos, libaneses e índios são lembrados por meio de desenhos e telas inéditos, que o artista começou a produzir há cerca de três meses. Para representar seus ascendentes, Borges usou de licença poética. Deu vida a personagens, como D. Pedro II (referência a bisavó que nasceu na monarquia), Milton Nascimento (homenagem a tataravó negra), uma estátua romana (lembrança do bisavô italiano), e por aí vai. Um detalhe interessante é que os desenhos bem-acabados ganham intervenções, na forma de "rabiscos". A meta, segundo Borges, é lembrar que estes arquivos estão por desaparecer.
Estréia dia 12, às 20h, na Galeria Renato de Almeida do Centro Cultural Pró-Música.