Cantata de Bach na igreja da Glória
No próximo dia 16 de dezembro a Orques-tra Sinfônica e o Coral do Pró-Músi-ca realizam um grande Con-certo de Natal na Igreja da Glória, às 20h30. Na ocasião será apresentada uma obra do compositor alemão Johann Sebastian Bach "Cantata de Bach 142" com o solista Pedro Couri Neto e regência do maestro Nelson Nilo Hack.
Nestes 30 anos de existência do Pró-Música é importante ressaltar o valor da Orquestra Sinfônica Jovem do Pró- Música que fez sua pré-estréia em dezembro de 1996, no concerto de lançamento do CD do VII Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Nos últimos 5 anos, a interpretação de mais de 100 jovens e adolescentes para grandes clássicos da música erudita têm emocionado o público nas ruas, salas de concerto, teatros e igrejas de todo país.
O concerto da Igreja da Glória encerra as atividades da Orquestra Sinfônica no ano de 2001 e promete recriar, através da música, toda a magia do natal, a alegria de celebrar o nascimento de Cristo. O evento, também, marca o lançamento do CD do 12º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.
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12º festival de Música em CD
O 12º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga aconteceu, em julho deste ano, no Centro Cultural Pró-Música de JF. O CD foi gravado no teatro, com instrumentos de época, sob a direção artística do violinista juizforano Luis Otávio de Souza Santos.
Neste CD a Orquestra Barroca, formada por músicos brasileiros e europeus, apresenta, em sete faixas ou movimentos, a obra Ouverture (suíte) Em Ré Maior do alemão G.P.Telemann (1681-1767) e dedica 12 faixas à obra Missa Em Mi Bemol Maior do brasileiro J.J. Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805). Este é o segundo CD da Orquestra Barroca e se destaca pela qualidade artística e desempenho notável dos músicos. Segundo Luis Otávio Santos, o amadurecimento dos músicos e a qualidade da gravação tornam este trabalho único na América Latina!
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Festival: Uma Trajetória Consolidada
Por Luis Otávio Santos
Neste ano de 2001 o Centro Cultural Pró-Música comemora 30 anos de atividades. Esta data foi justamente celebrada com a realização do XII Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, o principal evento da instituição. Prosseguindo com a filosofia de dar decisivos passos para a divulgação e execução da música do Brasil Colônia e da música antiga européia, o Festival teve a importante presença de Sigiswald Kuijken, um dos pioneiros do movimento de música antiga na Europa. Uma presença que se equipara à vinda de Curt Lange, o pioneiro das descobertas da produção musical do Brasil colonial, nos 4º e 5º Festivais.
Neste clima de consolidação das propostas primordiais às quais o Festival e o Centro Cultural Pró-Música se propõem, a Orquestra Barroca, no seu 2º CD, promove a releitura da Missa em Mi bemol Maior, de J.J. Emerico Lobo de Mesquita. Esta obra, considerada uma das mais representativas do compositor, já fora gravada no primeiro da série de CDs do Festival, em 1992. Naquela época, a necessidade de registros fonográficos da música colonial era uma prioridade, pois a discografia disponível para o público e interessados era pequena. Contudo, os instrumentos de época ainda tiveram que esperar vários anos.
Com o amadurecimento do Departamento de Música Antiga do Festival, emblemado pela Orquestra Barroca, a regravação da Missa em Mi bemol, nove anos depois, reafirma a proposta do Festival na sua totalidade: divulgar os novos conceitos estéticos, fruto do trabalho integrado de pesquisadores e intérpretes especializados na música histórica. É a união final entre os universos de Curt Lange e Sigiswald Kuijken e o marco de uma nova era para o Festival.
Contrapondo-se a Emerico Lobo de Mesquita neste CD, encontra-se a versão da Orquestra Barroca da Suíte em Ré Maior de G. P. Telemann. Um dos mais prolíficos e executados compositores do fim do Barroco Europeu, Telemann soube como poucos explorar os recursos de cada instrumento para o qual escrevia.
Nesta pouco conhecida Ouverture em Ré Maior, Telemann emprega uma orquestração sui generis: o uso de oboés e corni da caccia obligatti cria uma sonoridade ao mesmo tempo pomposa e rústica. Talvez essa inventio extravagante o leve a incluir na suíte movimentos não derivados das tradicionais danças francesas, como a divertida rejouissance, o descritivo carillon e a barulhenta tintamare. Um típico delírio barroco com efeitos sonoros somente realizáveis com os recursos de uma orquestra barroca.
Este é um CD de novidades. Novas sonoridades e efeitos orquestrais com a música de Telemann e uma nova visão estética da música do Brasil colonial com a releitura de Emerico. Mas, acima de tudo, este é um CD de comemoração da longa trajetória percorrida pelo Centro Cultural Pró-Música, que o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido em 2000 pelo Ministério da Cultura e pelo IPHAN ao Festival, veio reconhecer, colocando-o numa posição proeminente e de interferência na produção cultural do Brasil.