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Instrumentos de Época


Música antiga é destaque no Festival



Orquestra Barroca do Festival, grava 10º CD, sob a regência de
Luís Otávio Santos (quarto, da esquerda para direita)

    Entre os dias 14 e 29 de julho, Juiz de Fora retoma o passado musical brasileiro e integra o cenário internacional com um evento que prevê, para este ano, a participação direta de cerca de 1500 pessoas, reunindo músicos, professores e alunos do país e do exterior. São 56 cursos e 53 professores do Brasil e de mais nove países (matéria abaixo).

    Entre as oficinas destacam-se as de canto e instrumentos barrocos. Serão ministrados 16 cursos de Canto Barroco, Música de Câmara Barroca, Flauta Doce, Cravo, Traverso, Alaúde, Viola da Gamba, Trompa Natural, além de Fagote, Oboé, Violino e Violoncelo barrocos. Sigiswald Kuijken, belga, mestre do violino barroco, regente da Orquestra La Petite Bande, uma das mais importantes da Europa, vai estar pela primeira vez no Brasil para um MasterClass em Orquestra Barroca. Qualquer pessoa pode se inscrever no curso de Kuijken, na categoria de ouvinte. Como executantes, apenas aqueles que enviarem currículo junto com a inscrição e forem aprovados. Os alunos selecionados participam da Orquestra Barroca do Festival, regida por Sigiswald, que se apresenta dia 20 de julho, às 20 horas, na Igreja do Rosário. No programa, Suite "Wasser Musik" em dó maior para orquestra, de George Phillip Telemann, Concerto em ré menor BWV1043 para dois violinos e orquestra, de J. S. Bach e La Fantasie, de J. F. Rebel.

    O violinista barroco, Luís Otávio Santos, discípulo do mestre belga, ressalta a importância do trabalho de Kuijken: "Ele é um dos pioneiros do movimento de música antiga, faz parte do grupo seleto de artistas que mudaram o curso da história da música, trazendo à tona essa prática musical. Portanto, a experiência de mais de 30 anos regendo orquestras barrocas, gravando importantes CDs e formando gerações de outros famosos músicos o faz testemunho vivo de uma filosofia musical".

    Luís Otávio rege a Orquestra Barroca do Festival, pelo segundo ano consecutivo, formada por profissionais e alunos com uma trajetória de cinco anos de Festivais, além de um quarteto vocal, composto pela soprano islandesa Ranveig Van Sigurdardottir; pelo contratenor Paulo Mestre, de Campinas, tenor Pedro Couri Netto, de Juiz de Fora e pelo barítono Marcos Loureiro, que atualmente estuda na Holanda. A Orquestra faz um concerto dia 15 de julho, às 20 horas, no Cine-Theatro Central e grava o 10º CD do Festival. Neste ano, os ensaios e gravações acontecem de 9 a 14 de julho. No repertório, Suite (Ouverture) em Ré maior para orquestra, de G. P. Telemann, Sinfonia da Cantata 169 "Gott soll alein mein Herze haben", de J. S. Bach, e a peça "Missa em mi bemol", do compositor mineiro do século 18, J. J. Emerico Lobo de Mesquita. Esta peça já foi gravada no primeiro CD da série, durante o 3º Festival, em 1992. A regravação é uma releitura e reinterpretação da obra, executada com instrumentos de época e por uma orquestra mais integrada, já que composta por músicos experientes, em sua maioria, participantes de vários festivais.

    Júlio César Santos, vice-Presidente do Centro Cultural Pró-Música, acredita que "a Orquestra consolida o projeto de fazer música brasileira do século 18, com instrumentos de época, que é a nossa música antiga". Duas trompas naturais vêm da Europa especialmente para a Orquestra. Para trabalhar com estes instrumentos, uma certa experiência é necessária. Existem diferentes sistemas de afinação barroca, chamados "temperamentos". A partir de pesquisas históricas, técnicas são recuperadas com base nos tratados e documentos de época. Noções de estilos do período Barroco e suas diferentes formas de ornamentação são estudadas. Todo esse trabalho para que a execução fique cada vez mais próxima do passado. "Fazendo música antiga estamos mantendo vivas, no presente, importantes obras de arte da nossa história da música", destaca Luís Otávio.

    A programação cultural do evento prevê 15 dias de concertos diários em igrejas, teatros, agências bancárias, ruas e shoppings, o que gera um público cativo de, aproximadamente, 80 mil pessoas. Neste ano, a parceria com outras cidades mineiras estendeu as apresentações para Itabira, Barbacena, Belo Horizonte e para as cidades históricas de São João del Rei, Diamantina, Tiradentes, Mariana e Ouro Preto. Por divulgar e preservar a música colonial brasileira, o Festival recebeu do IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Ministério da Cultura, em dezembro de 2000, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, na Categoria Preservação de Bens Móveis e Imóveis.

    O evento procura reunir os maiores nomes do mundo da música para apresentações e cursos, além da edição de livros, gravação de CDs, restauração de partituras e instrumentos antigos, sendo uma importante fonte de informação e aprendizado.


Renomados professores de importantes países

    Dez países estão representados por 53 professores no 12º Festival: Bélgica, Bolívia, Brasil, Estados Unidos, França, Holanda, Islândia, Japão, Noruega e Portugal. Sigiswald Kuijken (Bélgica), Ricardo Kanji (Brasil/SP), Ranveig sif Sigurdardottir (Islândia), Michael Von Der Linden (Holanda), Mime Yamahiro (Japão/Holanda), Luís Otávio Santos (Brasil/Holanda), Ricardo Rapoport (Brasil/França), Eduardo Rodrigues (Bolívia) e Sérgio Dias (Brasil/Portugal) são alguns dos professores que representam ora o seu país de origem, ora o país em que atualmente trabalham.

    O Festival oferece 56 cursos, incluindo os teóricos, de orquestras, canto e de instrumentos modernos e de época. O evento é mais que um espaço de aprendizado. A partir do contato com professores e alunos de vários países, muitos músicos brasileiros têm suas trajetórias direcionadas para a Europa.

    No 12º Festival, deste ano, vão ser oferecidas 11 oficinas exclusivas para violino. Nenhum outro evento semelhante oferece tantos cursos dedicados a este instrumento. Paulo Bosísio (RJ), um dos mais importantes violinistas brasileiros, é o coordenador da área de cordas do Festival. Luís Otávio Santos (Brasil/Holanda), Ole Bohn (Noruega) e Daniel Guedes (Brasil/EUA) são outros violinistas de projeção internacional. O maior violonista brasileiro, Marco A. Lavigne (RJ), também está no Festival para uma oficina de viola.

    Mas o curso de maior destaque é o de Orquestra Barroca, ministrado pelo violinista barroco Sigiswald Kuijken, convidado de honra do 12º Festival (vide matéria principal da página). Além deste, outros quatro professores lecionam Prática de Orquestra, dentre eles os maestros Nelson Nilo Hack (RJ) e Sérgio Dias (Brasil/Portugal).

    Nos cursos de instrumentos de sopro, a maioria dos professores da área são titulares de orquestras e docentes de escolas superiores do Rio de Janeiro. Nomes de peso, como Moacyr José de Freitas (oboé), Carlos Gomes (trompa), José Carlos de Castro (clarineta) e Jessé Sadoc Nascimento (trombone), fazem parte deste grupo.

    Em 2001, estão sendo oferecidos sete cursos de canto, incluindo Prática de Regência Coral . Neyde Thomaz e Rio Novello, ambos do Paraná, vão dar aulas de técnica vocal e interpretação de ópera, são cantores líricos, enquanto Pedro Couri Netto (JF) e Ranveig sif Sigurdardottir (Islândia) lecionam canto barroco.


O virtuose do violino, Daniel Guedes (RJ),
professor de destaque do Festival

    Como não há restrição de idade para participar do Festival, os pequenos também têm cursos só para eles. As oportunidades são em prática de orquestra e oficinas de violino e flauta. José Ademar Rocha, da Paraíba e Cláudia Freixedas (SP), são os professores da área.

    Outras oportunidades são os três cursos de Música de Câmara, lecionados pelos músicos Homero Magalhães Filho (Brasil/França), Nerisa Aldrighi (RJ) e João Guilherme Figueiredo (SP), o de Didática da Musicalização Infantil, do professor José Nunes Fernandes (RJ), o de Restauração de Partituras, ministrado pelo musicólogo e regente Sérgio Dias e o curso de História da Música, sob a responsabilidade dos musicólogos Paulo Castagna, Maurício Monteiro e Graham Griffiths, de São Paulo e Cremilde Rosado Fernandes, de Portugal.



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