Artes plásticas, teatro e literatura

O 12º Festival também abre espaço para outras manifestações artísticas, numa mistura que contempla literatura, artes plásticas e teatro. O poeta Affonso Romano de Sant'Anna lança na cidade o livro "Barroco: do quadrado à elipse" (Editora Rocco). Com uma linguagem simples e quase didática, mas sem lhe tirar o sabor do estilo, o autor apresenta um fascinante estudo em sua obra. Affonso Romano explica a passagem do estilo renascentista para o barroco, por meio de criativos exemplos na arquitetura, pintura, música e literatura, o que confere à obra um caráter enciclopédico que, longe de afastar o leitor, o coloca mais próximo do assunto estudado.
Em seu livro, o mineiro Affonso Romano de Sant'Anna interpreta obras de grandes escritores, que vão do padre Antônio Vieira ao contemporâneo José Saramago, passando por clássicos do século 20 como Joyce, Kafka, Borges e García Márquez, os brasileiros Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Osman Lins e até pelo cineasta Gláuber Rocha, todos trabalhados em surpreendentes análises. O poeta define o livro como "um texto, enfim, obrigatoriamente ocultista e inevitavelmente conceitista, que reúne emoção e razão, arte e ciência, história e religião, reinventando a tensão semiótica entre o quadrado e a elipse".
A programação cultural do Festival conta ainda com a Exposição "Estrambótico". São, aproximadamente, dez telas do artista plástico Eduardo Borges, produzidas especialmente para o evento. O nome da exposição significa o que não é comum, esquisito, estravagante e, segundo, o artista , "uma maneira lacônica para definir o que é o Barroco".

Eduardo Borges, autor do cartaz do 12º Festival,
expõe obras no evento.
A arte barroca (1600-1750) conseguiu casar a técnica avançada e a grandiosidade da Renascença com a emoção, a intensidade e a dramaticidade do Maneirismo, fazendo do estilo Barroco o mais suntuoso e ornamentado na história da arte. A idéia de Borges é estabelecer um trânsito do tempo presente para o período Barroco, a partir de efeitos da tinta a óleo nas texturas, cenários e personagens. "Quero interligar elementos do período ao nosso cotidiano, pois vejo no homem moderno características barrocas", diz o artista.

Também está programada a apresentação da peça "O Leão no Inverno", do escritor americano James Goldman. O espetáculo, sob a direção de José Eduardo Arcuri, se arquiteta em torno de sete personagens, tem cerca de duas horas de duração e um texto para o qual sobram elogios. A história é sobre a família de Henrique II, rei da Inglaterra, no ano de 1183. A peça enfoca as ardis disputas e as intrigas maquiavélicas para decidir qual dos três filhos será o novo rei. Montada pela primeira vez no Brasil, a peça obteve sucesso de público e crítica em Juiz de Fora, em 2000, arrancando aplausos no Festival de Teatro de Curitiba, este ano.