Pró-Música é "Símbolo da Cultura"
Foram 9166 slogans para ser escolhido apenas um. Isso é previsível. O imprevisível é que o slogan vencedor não foi o favorito da pessoa que o criou. Adair de Miranda Motta ficou surpreso quando soube que Símbolo de Cultura estava entre os finalistas. "Pessoalmente, prefiro apanágio da cultura. Soa muito bem, é muito forte, além de ser uma redondilha maior. A preferência de Adair era tanta que ele não acreditava na força da frase pré-selecionada pela Comissão Julgadora.
O acaso fez Adair participar do Con-curso Slogan. A filha ficou sugerindo que ele se inscrevesse e, um dia, veio a frase favorita à cabeça: "Pró-Música, JF: apanágio da cultura, 30 anos". Depois criou ainda duas outras, que a filha, que tanto incentivava, enviou pela Internet. A curiosidade é que as três tinham, em comum, a palavra cultura. "A Pró-Música gira em torno da cultura. Aqui se faz teatro, exposições, concertos, aulas... Produzir, promover e divulgar a cultura é o objetivo da entidade. A ca-racterística maior. Não conseguiria conceber uma frase sem esta palavra". Ele também não foi em busca de um slogan, preferia um emblema, algo que marcasse sem a necessidade de partir para o lado comercial.
Adair é bacharel em Direito, mas trabalhou e se aposentou como servidor administrativo de nível superior da UFJF. Ele está ligado ao espírito do Centro Cultural, desde 1971. "Um dia, eu recebi a visita de Hermínio e Maria Isabel para propor que eu fosse sócio na criação de um Centro Cultural, que teria um concerto por mês". Adair participava do Coral Universitário e, como sempre foi uma pessoa ligada à música, aceitou o convite para ser sócio na hora. Nem ele, nem ninguém poderia imaginar que aquela proposta modesta de Hermínio e Maria Isabel fosse originar uma escola de música, vários grupos musicais e um festival internacional, conhecido e respeitado no exterior. No Pró-Música, Adair participou, por 13 anos, do Conjunto Pró-Música Antiga. Atualmente, faz parte do Coral Pró-Música e do grupo Pró-Música Colonial Brasileira .
É a primeira vez que ele se inscreve em um Concurso do gênero e se considera um leigo no assunto, pois não tem conhecimentos de marketing ou publicidade para saber o que é e como é criar um slogan perfeito. "Deve haver frases mais fortes. Só de estar entre os 20 finalistas, eu já me considero premiado", ele disse em uma entrevista três dias antes de ser divulgado o resultado. É um discurso sincero para quem participou do Concurso, por acaso. Mas o júri achou que era a mais adequada para explicar a trajetória do Centro Cultural Pró-Música nestes 30 anos de história. Pode ser sorte, Adair. Pode ser destino. Afinal, já não disseram que o acaso não existe?
Histórias de Amor pela entidade
Ninguém acreditou quando ouviu o motivo do convite para a entrevista: "É que você está entre os finalistas do Concurso do Pró-Música. Não era trote, era pura verdade. Depois de duas semanas de seleção, a Comissão Julgadora chegou a uma lista com 19 frases.
De estudantes primários a universitários, professores e donas de casa, funcionários públicos e advogados, todos os setores da população se fizeram presentes. O advogado João Guilherme Lopes, 28, resolveu participar após ver uma propaganda do concurso na TV. Acessou a Internet e inscreveu sua frase. Já a dona de casa Denise Gréggio, 38, tomou conhecimento por meio de sua irmã, que pegou os folhetos num supermercado, e nem imaginava que ficaria entre os finalistas.
Ter chegado tão longe em meio a tantos candidatos significava estar a um passo de conseguir o prêmio. Mas se engana quem pensa que é só por dinheiro. "O prêmio é esse, ter uma frase associada ao nome do Pró-Música", disse o militar Fabrício Moreira, 24. Para Rhodiney Vaz Martins, 22, que auxiliou o pai, Antenor, a criar uma das frases selecionadas, o Pró-Música coloca o nome da cidade em evidência no país. "As pessoas deveriam valorizar o trabalho social da entidade, que oferece bolsas para desenvolver o talento musical dos alunos".
A resposta à promoção também levou em conta aspectos afetivos. Pessoas que já possuíam uma ligação com a Instituição, por meio dos grupos e cursos do Pró-Música, participaram por amor à entidade, como no caso do estudante de Arquitetura da UFJF, Alberto Felipe Lambert, 20, que participa do Coral Pró-Música. A entidade também está presente nas lembranças de infância da dona de casa Mara Cristina Pereira da Silva, 26, de onde colheu inspiração para criar a frase. Mara ainda se lembra de um dia em que passava em frente ao Teatro Pró-Música e ouviu o som de uma orquestra. Encantou-se, ficando aquele momento, como um sonho em sua memória. Hoje, ela acredita que através da arte vai encontrar forças para superar um pesadelo, a depressão.
A experiência pessoal influenciou a professora aposentada Maria da Conceição Bastos, 53. Ela já foi aluna da Escola Pró-Música e sentiu-se na obrigação de fazer o slogan em torno da palavra credibilidade. A união da família na elaboração do slogan colaborou para que uma das 130 frases enviadas pela dona de casa Meire Botelho, 38, também fosse escolhida.
A música foi o motivo da participação da estudante Natália Rodrigues, 11. A família dela vivia em Ouro Branco (MG) e mudou-se para Juiz de Fora, há seis meses. O Concurso aproximou Natália do Centro Cultural: "Eu adoro música, sempre quis tocar piano. Não conhecia o trabalho do Pró-Música, mas, agora, sempre que possível, vou estar no Teatro". O professor de Geo-grafia, Heraldo Gonçalves, 35, recorda-se que a Instituição ampliou os limites da música clássica, tornando-a acessível ao povo.
Outros, mais racionais, vislumbraram no concurso um desafio a ser vencido, como no caso do profissional de Comu-nicação, Wellington Xavier Costa, 61. Ele queria fazer um slogan que fosse, ao mesmo tempo, simples e forte e que levasse o Pró-Música à mente das pessoas, instantaneamente. E Wellington tem um argumento eficiente para aqueles que se prendem a rótulos e acha que a idade é sinônimo de desistência: "Eu sei que amanhã vou ser considerado ultrapassado, mas enquanto estiver em condições de raciocinar, de progredir no desafio a ser vencido, não esmoreço, não canso, não morro".
Com estes depoimentos, o Centro Cultural Pró-Música se sente honrado em fazer parte da vida de pessoas tão ricas em histórias e em experiências. E tudo isso nos primeiros 30 anos da entidade. Ainda restam muitos capítulos - grupos, músicas, sinfonias, orquestras, concursos, festivais - a serem escritos, sempre com o apoio do público. Afinal, se não houvesse para quem fazer, para quê o espetáculo?