Programação se diversifica e cresce em qualidade

Orquestra de Câmara de Londrina (PR), uma das atrações do Festival
O Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga já está chegando. Acontece de 14 a 29 de julho, em Juiz de Fora (MG). As expectativas são muitas. Este ano, o 12º Festival vai contar com a presença do belga Sigiswald Kuijken, o mestre do violino barroco, de professores renomados do país e do exterior e realizar concertos de importantes grupos do Brasil, Bélgica, Noruega, Áustria, Alemanha, Suíça, EUA em cidades históricas mineiras e em Juiz de Fora, que vai se transformar, novamente, na Capital da Música Colonial.
O corpo docente do 12º Festival é basicamente o mesmo dos anos anteriores. Entre os cursos, vale destacar as aulas de Didática da Musicalização Infantil, do professor José Nunes Fernandes, do Rio de Janeiro. O curso vai contemplar dois públicos diferentes: as professoras leigas, que trabalham em escolas públicas ou particulares, que gostariam de usar a música como apoio nas aulas e as professoras especializadas, que procuram reciclagem.
As crianças vão frequentar as aulas de violinos, com o professor José Ademar Rocha, da Paraíba, que ensina pelo método Suzuki (ensino de cordas em grupo). José Ademar teve oportunidade de estudar com o criador do método, Dr. Shinichi Suzuki, durante uma conferência no Japão, em 1989.
O professor Ricardo Kanji vai ser o responsável pelas aulas de Flauta Doce e Traverso. Ele estudou no Conservatório Real de Haia, na Holanda e com os mestres Frans Brüggen e Frans Vester. Kanji participou de diversos concertos e projetos como regente da Orquestra Barroca do Conservatório, que ele fundou, além de fazer parte da maioria das orquestras barrocas da Holanda. Atualmente, Ricardo Kanji se dedica à gravação de discos para diversas empresas fonográficas e à formação de um Centro de Música Antiga, em São Paulo.
As aulas de Canto, Técnica Vocal e Interpretação para Ópera vão contar com dois professores muito conceituados, pela primeira vez no Festival. Neyde Thomaz, do Paraná, que recebeu, há dois anos, o Troféu de Honra ao Mérito por ser a única brasileira viva a ter cantado no Metropolitan Opera House, de Nova Iorque, na primeira transmissão ao vivo das óperas para o Brasil. Já Rio Novello nasceu na Itália, mas mora em Curitiba, desde 1990. O cantor possui um vasto currículo de apresentações das mais diferentes obras - Rigoletto, Tosca, Traviata, Otello, Carmen, entre outras. Rio Novello tem uma carreira internacional, já tendo se apresentado em São Paulo, Rio de Janeiro, Milão, Berlim, Tel-Aviv, Marselha, Istambul, Caracas e Bogotá. Ele se orgulha de ter aberto o caminho da Arte Lírica a alguns dos melhores artistas da atualidade no Brasil e no exterior.
Outra curiosidade diz respeito ao número de cursos de violino. No país, acontecem duas a três oficinas por evento, mas na 12ª edição do Festival vai haver, nada menos do que, dez cursos. E este ano vão ser oferecidas aulas de Trombone, com Jessé Sadoc Nascimento, do Rio de Janeiro, um acréscimo em comparação aos festivais anteriores.
Treze conjuntos e orquestras brasileiros vão se apresentar no Festival, entre eles o "Armônico Tributo" Orquestra Barroca (Campinas/SP), Conjunto Atempo (RJ) e Orquestra de Câmara de Londrina (PR). O Armônico Tributo buscou inspiração para o nome nas composições de Georg Muffat e é composto por músicos brasileiros especializados em música antiga, vários deles, ex-alunos de Gustav Leonhardt e Jacques Ogg (cravistas) e Sigiswald Kuijken (violinista barroco). O Conjunto Atempo é especializado em música medieval e vem com um repertório de cantigas que narram milagres acontecidos em cidades de Portugal. O grupo se propõe à pesquisa e à divulgação do amplo repertório musical da Idade Média na Europa Ocidental.
Já a Orquestra de Câmara de Londrina tem a proposta cultural e artística de divulgar, especificamente, a música de câmara erudita, além de apresentar obras de compositores brasileiros, como Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Cláudio Santoro, Guerra Peixe e Ernani Aguiar. Este ano, a Orquestra está se preparando para a gravação do primeiro CD.
Entre os conjuntos estrangeiros presentes no Festival, destacam-se, dentre outros, o Duo La Follia Colonia (Alemanha) e o Ensemble Turicum (Suíça). O La Follia Colonia já gravou três CDs, fez várias apresentações em cidades alemãs e brasileiras e é formado pela flautista Christiane Kreit e pelo violonista Paulo Peres. Eles valorizam a improvisação e o contato com o público, o que resulta em uma performance virtuosística, vivaz e excitante.
Já o Ensemble Turicum possui a característica singular de dotar a música barroca de expressividade dramática, fazendo do equilíbrio entre aumento e relaxamento de tensões uma experiência única para os ouvintes. O repertório mistura a música barroca brasileira, completamente desconhecida na Europa, e a música rara e negligenciada do baixo barroco, séculos 16 e 17, além de música alemã, inglesa e espanhola. É a forma que o grupo encontrou para dar seqüência à tradição da cidade de Zurique (Turicum, em Latim) de ser um ponto de encontro de várias culturas européias.
Os interessados em obter informações mais detalhadas sobre o 12º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga devem enviar e-mails para promus@terra.com.br, acessar o site www.promusica.org.br/festival ou, então, ligar para (0xx32) 3215-3951. A partir de junho, as escolas e instituições ligadas à música, bem como centros, órgãos e associações culturais do país estão recebendo o material explicativo, com a ficha de inscrição, que pode ser xerocada e enviada pelos Correios ou por fax (0xx32) 3216-4787.